Tótem
Caí de la cama al barro, era noche fría y mojaba el fango
Un cojo manco ofreció tabaco le dije que andaba buscando
Qué cosa, me preguntó, mis ancestros contesté
¿Quieres culparlos o agradecerles? No lo sé muy bien
Están el uno sobre el otro, cada cual un animal
Juntos bajo un cielo rojo, caballo con águila
Son como fálicos de madera y no me dejan de mirar
Quiero subirme, quiero montarlos y poderlos domesticar
Caí de rodillas y lo contemplé
Caí de rodillas y lo abracé, lo abracé
Y lo vi frente a mí, el tótem
Y mis ojos abrió en la noche
En la noche
El barco zarpó y no podía zarpar
El tipo que remaba tenía mala cara
Buscando comida pulpos trepaban
El remero los pateaba
Me preguntó: ¿Qué transas?
¿Por qué molestas?
Busco a un pariente, contesté
De la familia Piedra, de Nos, Chile
Me dijo: Aquí está lleno de tipos como tú
Manejo el bus y crucé a todos por el río hacia la luz
Amigo, no te creo, ¿en el infierno todos ellos dices tu?
No todos, y no soy tu amigo
Llevo años en esto, tenme un poco de respeto
Caí de rodillas y lo contemplé
Caí de rodillas y lo abracé lo abracé
Y lo vi frente a mí el tótem
Y mis ojos abrió en la noche
En la noche
Tótem
Caí da cama na lama, era noite fria e o barro molhava
Um manco ofereceu tabaco, eu disse que tava procurando
Que coisa, ele me perguntou, meus ancestrais eu respondi
Quer culpar eles ou agradecer? Não sei muito bem
Estão um sobre o outro, cada um um animal
Juntos sob um céu vermelho, cavalo com águia
São como falo de madeira e não param de me olhar
Quero subir, quero montá-los e poder domá-los
Caí de joelhos e o contemplei
Caí de joelhos e o abracei, o abracei
E o vi na minha frente, o tótem
E meus olhos se abriram na noite
Na noite
O barco zarpou e não conseguia zarpar
O cara que remava tinha uma cara ruim
Procurando comida, polvos subiam
O remador os chutava
Ele me perguntou: Que transa?
Por que você tá incomodando?
Tô procurando um parente, eu respondi
Da família Pedra, de Nos, Chile
Ele disse: Aqui tá cheio de caras como você
Eu dirijo o ônibus e levei todos pelo rio até a luz
Amigo, não te acredito, no inferno todos eles você diz?
Não todos, e não sou seu amigo
Tô há anos nisso, tenha um pouco de respeito
Caí de joelhos e o contemplei
Caí de joelhos e o abracei, o abracei
E o vi na minha frente, o tótem
E meus olhos se abriram na noite
Na noite