El Pastor Perdido
Pago en que yo nací
Hombres, ranchos y animales
Agüitas de manantiales
Y cachimbas que bebí
Por qué caminos me fui
Tan lejos y sin caballo
Que donde estoy no me hallo
Y ya no soy el que fui
Perdido estoy de tu cielo
De tus pájaros y nubes
Del ancho verdor que hube
Y el alto azul paralelo
Perdido estoy de mi suelo
Y del campo al que me atuve
Y el no tener lo que tuve
Le agrega pena a mi duelo
Florida, illescas, el sauce
Arroyito consecuente
Jugando con tu corriente
Se fue mi infancia en tu cauce
Que tu recuerdo me apause
La pena y el desencanto
Azul recorra mi canto
Y no se me desencauce
Clarito suelo acordarme
Del verdor de aquella fronda
Y el azul que a la redonda
Se empinó para mirarme
Pero si viene a cercarme
Este verdor que me ronda
En azules se me ahonda
El azul para azularme
O Pastor Perdido
Pago onde eu nasci
Homens, ranchos e animais
Águas de nascentes
E cachimbas que eu bebi
Por quais caminhos eu fui
Tão longe e sem cavalo
Que onde estou não me acho
E já não sou quem eu fui
Perdido estou do teu céu
Dos teus pássaros e nuvens
Do vasto verde que tive
E do alto azul paralelo
Perdido estou da minha terra
E do campo que me abracei
E o não ter o que eu tinha
Aumenta a dor do meu luto
Florida, Illescas, o salgueiro
Riacho constante
Brincando com sua corrente
Minha infância se foi no seu leito
Que tua lembrança me pause
A dor e o desencanto
Azul percorra meu canto
E não me desvie do caminho
Claramente me lembro
Do verdor daquela folhagem
E do azul que ao redor
Se ergueu pra me olhar
Mas se vier me cercar
Esse verde que me rodeia
Em azuis se aprofunda
O azul pra me deixar azul.
Composição: Juan Cunha Y Yamandú Palacios