Vals de dos finales
Ya era tarde. El taxi se adueñó de las calles y de mi silencio.
El chofer -traidor!- cambió nuestro recorrido por el viaje sin vuelta a la última morada.
Yo miro a mi lado a mi padre, pero está borracho;
y se le traba la lengua tratando de explicar lo irremediable.
Se perdona todo, antes que ser un perdedor.
Sus amigos, aterrados, la olvidaron en la estampida.
Se arrastraba y en su borrachera se daba cuenta de que era el final y se cagaba de risa.
Y yo, mezcla de curiosidad y coraje, le ofrezco esperar abrazados la explosión.
Que termine de una puta buena vez con esto de vivir por un lugar a dónde caer.
Vals dos Finais
Já era tarde. O táxi tomou conta das ruas e do meu silêncio.
O motorista -traidor!- trocou nosso caminho pela viagem sem volta para a última morada.
Eu olho ao meu lado para o meu pai, mas ele está bêbado;
e a língua dele emperra tentando explicar o irremediável.
Perdoa-se tudo, antes de ser um perdedor.
Os amigos dele, apavorados, a esqueceram na correria.
Ele se arrastava e, na sua bebedeira, percebia que era o fim e se cagava de rir.
E eu, mistura de curiosidade e coragem, ofereço esperar abraçados a explosão.
Que acabe de uma puta vez com essa história de viver em busca de um lugar pra cair.
Composição: J.p.fernández