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Milonga borgeana

Pery Souza e Vitor Ramil

Letra

    Dentro do livro de areia
    A ampulheta do tempo
    Virou do avesso.

    Quase sangrando nos becos
    A fome de um tigre
    Em mim.

    E farejei as palavras no ar
    A mão do vento se abriu
    E pôs em folha suspensa
    A milonga borgeana.

    Mil criaturas da noite
    Transpassam inquietas
    Os vidros de um bar.

    Monstro aqueronte passeia
    Na ponta dos pés
    Em nós.

    Deu-me um espelho esquisito e falou
    Da forma que a vida tem
    De pôr no rosto uma cara
    Que a alma desenha.

    Milonga borgeana
    Milonga de sombra.

    Um tigre de quatro cores
    Perdeu-se em teu labirinto.

    Milonga borgeana
    Espada de vento

    Nas calles de buenos aires
    Nas calles de mis entrañas.

    El viejo tiempo se espraia
    Circula a doutrina
    E suspende o punhal.

    No corredor
    Os rangidos do piso
    São tão iguais...

    Gume afiado, o destino que fez
    A mão do escuro fechar
    E pôr em muro de sombra
    A milonga borgeana.

    Abre-se a fresta del sueño
    E se adentra um mistério
    Um segredo e o frio.

    Entro com eles
    No espanto da casa
    Del asterion.

    Ah, quem me dera eu pudesse tocar
    Um solo de bandoneón
    Ao olho atento que mira
    O futuro e o mundo...

    Composição: Jaime Vaz Brasil / Pery Souza. Essa informação está errada? Nos avise.

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