Ballade Cuntre Les Anemis De La France - De François Villon
Rencontré soit de bêtes feu jetant
Que Jason vit, quérant la Toison d'or;
Ou transmué d'homme en bête sept ans
Ainsi que fut Nabugodonosor;
Ou perte il ait et guerre aussi vilaine
Que les Troyens pour la prise d'Hélène;
Ou avalé soit avec Tantalus
Et Proserpine aux infernaux palus;
Ou plus que Job soit en grieve souffrance,
Tenant prison en la tour Dedalus,
Qui mal voudroit au royaume de France!
Quatre mois soit en un vivier chantant,
La tête au fond, ainsi que le butor;
Ou au grand Turc vendu deniers comptants,
Pour être mis au harnais comme un tor;
Ou trente ans soit, comme la Magdelaine,
Sans drap vêtir de linge ne de laine;
Ou soit noyé comme fut Narcissus,
Ou aux cheveux, comme Absalon, pendus,
Ou, comme fut Judas, par Despérance;
Ou puist périr comme Simon Magus,
Qui mal voudroit au royaume de France!
D'Octovien puist revenir le temps:
C'est qu'on lui coule au ventre son trésor;
Ou qu'il soit mis entre meules flottant
En un moulin, comme fut saint Victor;
Ou transglouti en la mer, sans haleine,
Pis que Jonas ou corps de la baleine;
Ou soit banni de la clarté Phébus,
Des biens Juno et du soulas Vénus,
Et du dieu Mars soit pugni à outrance,
Ainsi que fut roi Sardanapalus,
Qui mal voudroit au royaume de France!
Prince, porté soit des serfs Eolus
En la forêt où domine Glaucus,
Ou privé soit de paix et d'espérance:
Car digne n'est de posséder vertus,
Qui mal voudroit au royaume de France!
Balada Contra os Inimigos da França - De François Villon
Que seja encontrado entre as bestas, fogo lançando
Como Jason viu, buscando o Velocino de Ouro;
Ou transformado de homem em besta por sete anos
Assim como foi Nabucodonosor;
Ou que tenha perda e guerra tão vil
Quanto os troianos pela captura de Helena;
Ou engolido seja com Tântalo
E Proserpina nos pântanos infernais;
Ou mais que Jó em grande sofrimento,
Mantendo prisão na torre de Dédalo,
Quem mal desejasse no reino da França!
Que passe quatro meses em um viveiro cantando,
A cabeça no fundo, assim como o biturão;
Ou vendido ao grande turco por dinheiro contado,
Para ser colocado na canga como um touro;
Ou trinta anos seja, como Maria Madalena,
Sem vestir pano de linho ou lã;
Ou que seja afogado como foi Narciso,
Ou pelos cabelos, como Absalão, pendurado,
Ou, como foi Judas, pela Desesperança;
Ou que possa perecer como Simão Mágico,
Quem mal desejasse no reino da França!
Que o tempo de Otaviano possa voltar:
É que lhe escorrem no ventre seu tesouro;
Ou que seja colocado entre moinhos flutuantes
Em um moinho, como foi São Vítor;
Ou transbordado no mar, sem fôlego,
Pior que Jonas ou o corpo da baleia;
Ou que seja banido da luz de Fêbus,
Dos bens de Juno e do prazer de Vênus,
E do deus Marte seja punido sem piedade,
Assim como foi o rei Sardanápalo,
Quem mal desejasse no reino da França!
Príncipe, que seja levado pelos servos Eolo
Na floresta onde domina Glauco,
Ou privado de paz e esperança:
Pois não é digno de possuir virtudes,
Quem mal desejasse no reino da França!