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Hortênsia, a Bonita

Pierre Lapointe

Hyacinthe La Jolie

Ferme-la, je n'veux pas
Savoir pourquoi, encore,
Tu as ri et chanté
Avec d'autres que moi
Moi, j'étais seul avec
Mes défauts et les rats
Qui dansaient sans arrêt
Entre mes pas

J'ai parlé aux aïeux
Eux aussi m'ont dit
Qu'ils se sentaient
Un peu trop esseulés
Ces temps-ci
Toi, tu pars et
T'envoles comme
L'enfant qui rigole
Aussi vif et léger
Qu'un regard égaré

Vas-y, pars; oui, va-t'en
Va manger à la table
De Hyacinthe la jolie, qui
M'a déjà couché dans son lit
Au milieu des allées
De vent froid arrivant
Directement du futur passé

Sur la terre délaissée
Mes souvenirs ont poussé
Nourris par les rayons
Du soleil et l'odeur du fumier
Je n'ai rien oublié
Je n'ai rien amplifié
Pour moi, tout est trop clair
Tout est trop bien gravé

Chers camarades, oh!
Dites-moi
Que suis-je devenu?
Moi, votre enfant perdu car
Seul, je frissonne
Mais, pour personne,
Je ne peux oublier,
Ces cadeaux du passé

Ai-je vieilli trop tôt?

Ai-je vieilli trop tard?
Suis-je encore pris
Entre la jeunesse et
L'adulte éprouvé?
Tous ces rêves,
Toutes ces joies
Que j'avais en étant
Près de vous, chez
hyacinthe la jolie

Tout, j'ai tout emballé
Tout emmagasiné
Pour vous avoir près
De moi le jour où
Je m'en irai, au-dessus
Des nuages, quand pour moi
Arrivera la dernière ligne
La dernière page…

Chers camarades, oh!
Dites-moi, que suis-je devenu?
Moi, votre enfant perdu car
Seul, je frissonne
Mais, pour personne,
Je ne peux oublier
Ces cadeaux du passé

Hortênsia, a Bonita

Cala a boca, não quero
Saber por que, de novo,
Você riu e cantou
Com outros que não comigo
Eu, fiquei sozinho com
Meus defeitos e os ratos
Que dançavam sem parar
Entre meus passos

Falei com os ancestrais
Eles também me disseram
Que se sentiam
Um pouco solitários
Ultimamente
Você vai embora e
Voa como
A criança que ri
Tão viva e leve
Quanto um olhar perdido

Vai, vai embora; sim, vai
Vai comer na mesa
Da Hortênsia, a bonita, que
Já me deitou em sua cama
No meio das alamedas
Do vento frio que chega
Diretamente do futuro passado

Na terra abandonada
Minhas memórias brotaram
Nutridas pelos raios
Do sol e o cheiro do esterco
Não esqueci nada
Não amplifiquei nada
Para mim, tudo é muito claro
Tudo está muito bem gravado

Queridos amigos, oh!
Dizem-me
O que eu me tornei?
Eu, seu filho perdido, pois
Sozinho, eu estremeço
Mas, para ninguém,
Não posso esquecer
Esses presentes do passado

Eu envelheci cedo demais?

Eu envelheci tarde demais?
Ainda estou preso
Entre a juventude e
O adulto vivido?
Todos esses sonhos,
Todas essas alegrias
Que eu tinha estando
Perto de vocês, na
Hortênsia, a bonita

Tudo, eu embalei tudo
Tudo guardei
Para ter vocês perto
De mim no dia em que
Eu partir, acima
Das nuvens, quando para mim
Chegará a última linha
A última página…

Queridos amigos, oh!
Dizem-me, o que eu me tornei?
Eu, seu filho perdido, pois
Sozinho, eu estremeço
Mas, para ninguém,
Não posso esquecer
Esses presentes do passado