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Letra

    Naquela tarde, desabou um tempo
    Que inundou os campos e afogou canhadas.
    E na coxilha a boiguaçu comia
    Olhos de animais que tinham luz guardada.

    Até o fogo se esvaiu vencido
    Quando a escuridão adormeceu as casas.
    Na longa noite da querência antiga,
    Um silêncio morto, a velar as brasas
    Bola de fogo campo a fora,
    Corre mas não queima nada...
    Cuida teus olhos que ela volta:
    - Cobra de fogo é m’ boitatá

    Se no verão, nas noites de mormaço
    Boitatá surgir, de novo, enrodilhada;
    Jogue teu laço que o ferro da argola
    Vai trazer de arrasto a cobra amaldiçoada.

    Campeiro amigo, não é só uma lenda
    O que simões contava aos homens do passado.
    A boitatá é cobra transparente,
    E hoje, de repente, surge ao teu lado.

    Composição: Emerson Oliveira / Luís Fernando Gastaldo / Paulo Righi. Essa informação está errada? Nos avise.

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