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Pra Apeiar Na Porteira

Luiz Marenco & Gujo Teixeira

Letra

    Estenderam suas distâncias
    Pelos cascos dos cavalos
    Rangindo basto e carona
    Sem sinuelo pra guiá-los

    Pra, depois, num fim de tarde
    Nas desencilhas do mate
    Refazer as campereadas
    Reafirmando esse embate

    De trazer poncho emalado
    Baios de tiro pra lida
    E uma esperança no arreio
    Pra algum aperto da vida

    Vai mais de légua no lombo
    Desta gateada ruana
    Inverno depois de inverno
    Gastando estrivo e badana

    Nessas estradas de tempo
    Onde a poeira engana os olho
    O arame dos corredores
    Separa a sombra dos molhos

    Como fosse permitido
    Adonar-se da querência
    Ou das coisas mais sentidas
    Que trazem campo na essência

    Gujo véio, lá do rincão das cordilheira
    Diz um verso, tu que nunca fala nada

    Pela porteira da frente
    Onde se chegam e se vão
    Os olhos desses campeiros
    Se perderam na amplidão
    Confundindo os velhos rastros
    C'o as cicatrizes do chão

    Ah! Loco véio
    Vai que tu tá lindo!

    Quem sabe, por estradeiros
    Esses olhos não têm dona
    E desencilham tão fácil
    Onde chia uma cambona

    Tenteando encontrar os rastros
    Destes galpões de guarida
    E alcançar, bem cevado
    Um mate pra impor a lida

    Porque, depois das distâncias
    Me encontrei com a fronteira
    Bancando as rédeas do pingo
    Pra apeiar na porteira
    Bancando as rédeas do pingo
    Pra apeiar na porteira


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