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Lago Brasil

Pedro Bergamo

Letra

    O lago era vermelho brasa, o lago era vermelho brasa
    Sempre que acabava o dia eu podia jurar que escutava
    Alguém cantando pros raios da Lua com tal sentimento
    Que aprisionava as ondas que tinham menor comprimento

    O lago era vermelho brasa e do lado havia uma placa
    Mas ninguém ao certo sabia o que aquela placa dizia
    Me disseram que em um celeiro trabalhava um velho vaqueiro
    Que enquanto tratava dos bichos contavam-lhe histórias

    Eu sei sim o que aconteceu, mas acredito eu
    Que a minha memória não mais se recorda de parte da história
    Mas irei lhe contar mesmo assim, não me leve a mal
    Se contando esse caso a chorar me desabo por meio do acaso

    É que por meu palpite, história mais triste ainda não existe
    Mas te faço um convite, nas coisas que disse, não pense, acredite
    Era uma vez uma pobre menina nascida com um dom sem par
    Doce menina de olhos vermelhos que ninguém podia fitar

    Menina morena de vida pequena que bem poderia deixar
    Incontáveis dias de pura agonia vivendo uma vida sem lar
    Se não falha a memória essa tal menina sequer conseguia falar
    Mas quando de noite que a Lua subia querendo no lago espelhar
    Aqueles que nas profundezas viviam do qual nunca ouvimos falar
    Pra superfície do lago subiam pra melhor ouvi-la cantar
    E ela fez do lago sua casa e o lago com ela falava
    Ela nunca respondia, mas o lago nunca se importava
    Pois o silêncio que ela preservava em seu pensamento
    Fazia sua voz ecoar bem mais longe no espaço e no tempo

    Mas seu canto também despertava este ser que se alimentava
    De qualquer inocência ou magia que habitam nos olhos de fada
    E enquanto ele se espreitava, sentiu cheiro de olhos de brasa
    E correu feito um louco pra saborear sua presa
    Já vou avisando que essa história talvez possa não agradar
    Pois nem todo conto é feito de vitórias, alguns vêm pra nos despertar

    Menina morena sua vida é pequena, mas ela pode se encurtar
    A alma que é tua, debaixo da Lua, ninguém poderá te roubar
    E pela floresta o diabo com pressa tentava a menina encontrar
    Dentro do lago ela se escondia lutando pra não respirar
    Com a calmaria sua mente esvazia e a escuridão vem pra reinar
    Enquanto seu corpo aos poucos caia, pro fundo das águas, sem ar

    Eu não sei bem o que aconteceu, mas acredito eu
    Que essa tal natureza cheia de proeza não é só beleza
    Por favor não me olhe assim, nem me leve a mal
    Se a sua alma pura achar que é loucura verdades tão duras
    A mudança na água ocorreu brevemente ou no mesmo instante
    Em que o lago roubou toda a vida que havia em seus olhos de sangue
    E aqui finalizo a minha história enquanto ainda posso parar

    Muito obrigado pela companhia, mas agora vou trabalhar
    Ao lado do lago, o que estava grafado, por fim eu vou te revelar
    No fundo das águas habita uma alma que um dia encontrou o seu lar
    Aqui eu te deixo com esse desfecho pra sempre a te atormentar
    Mesmo com anos de esforço seu corpo ninguém foi capaz de encontrar
    E se ainda duvidas, então lhe convido ao lago Brasil retornar
    Esvazie sua mente e ouvirá claramente uma voz a inocente a cantar


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