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Recortes da Alvorada

Cícero Porto

Letra

    Havia noites, madrugadas
    Sonhos, alvoradas e muito amor
    Havia vozes na estrada
    Gritos e mais nada e muito calor
    E dia louco, após dia
    Sono que não vinha
    Tanto a dispersar
    Maluco, santo eu não era
    Mas eu já queria brincar de cantar

    Menino, brincando na terra
    Não havia guerra nesse meu lugar
    Fingia que era uma beato
    Fugia pro mato, brincar de rezar
    E mesmo conhecendo o medo
    Dizia ser cego, não ousava ver
    Os mouros que se imaginava
    Que sempre cantava
    Para o rio nascer

    E antes de raiar o dia
    A voz que saía resmungava ser
    Um grilo que cantarolava
    Pela madrugada sem se esquecer
    Que o louco que eu já era
    Feito uma quimera mergulhava em mim
    Buscando a face verdadeira
    Aquela primeira
    Mas só via o fim

    Buscando a face verdadeira
    Aquela primeira
    Mas só via o fim

    Composição: Cícero Porto / William Batista. Essa informação está errada? Nos avise.

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