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KATONGO (RIP)

Kelvin PostaroO

Letra

    Hoje eu não tô aqui para falar do que eu sou
    Apenas cheguei pra explicar de tudo que eu vivo
    2 loucos perturbados tudo dentro duma casa
    No meio disso a injustiça sempre a andar comigo
    Eu dobrei o joelho pedindo mais bênção à Deus
    Meu Deus me perdoa se nesse mar eu pescar vivo
    É que eu já não sei mais no que eu devo acreditar
    Todo louvor que me foi dado eu desacredito

    Nos dias que devia ter chuva só havia Sol
    Agora ando perturbado pela minha cabeça
    E ela nunca vai passar com paracetamol
    Só vai passar apenas com novas promessas

    E eu não vim aqui para falar de mim mas se puder eu vou falar sobre mim e também daquela criança
    Que ficava todo o dia descansando bem deitado muito calmo mas no fim nunca levantava
    E quando as pessoas chegavam, algumas até perguntavam sem saber mas a consciência é que lhes pesava
    Chegou o tempo de eu puder vos contar uma história
    Sejam bem-vindos a história da minha casa

    Era uma vez em África um país da merda
    Província luanda o município é cazenga
    Uma mãe feliz com o marido mais os seus filhos
    O grande problema é que ela era uma analfabeta

    Toda vez que ela falava era desrespeitada
    As tias mais experientes lhe faziam de brinquedo
    Se alguma vez eu vi alguém a perecer
    Foi a minha avó por falta de conhecimento

    Além desse ela tinha 2 pesos a carregar
    Um filho perturbado e o outro não andava
    Quando essa criança parecia estar doente
    Não falava, o coitadinho só gritava
    Não andava o coitadinho só parava
    Não brilhava o coitadinho só apagava
    Durante o banho era muito cuidado
    Quando eu lhe dava de comer quase que se engasgava

    Meu primeiro tio se perdeu na frustração
    Tudo aquilo que vivemos só se foi agora
    Com 9anos meu Deus foi a primeira vez
    Que vi alguém inconsciente por causa da droga

    Meu segundo tio se perdeu na frustração
    Tudo aquilo que vivemos só se foi agora
    Foi tão triste para a minha família
    Por ter se repetido a mesma história

    Não foi diferente pra mim eu fiz a mesma coisa
    A forma de esconder a dor era esse caminho
    A primeira vez que eu enrolei a erva no papel
    Foi por eu ter me sentido sozinho

    E o pai que eu tenho na minha vida não é um bom exemplo
    Quando era conversa o caralho não conversava
    A lembrança mais forte na vida que eu tenho
    Pé dele no meu pescoço na boca eu sangrava
    Não vou vitimizar eu já tive o melhor
    Sempre de Nike e dólar desde criança
    2021 pela primeira vez meu pai me mandou ter com alguém na embaixada americana

    Vocês é que são os religiosos, nós aqui os crentes
    Dizem ser humildes, humilde não usa iPhone
    Vocês os religiosos, nós aqui os crentes
    Vocês comem do melhor e nós passamos fome
    Vocês é que são os religiosos, nós aqui os crentes
    Vocês no conforto a dor nos consome

    Nos dias cheio de Sol
    Bem dentro do sábado eu já sabia que havia de ocupar a minha mão
    Com a mão esquerda eu lhe tirava a mosca da boca
    Enquanto eu lhe abanava com a outra mão

    Até o momento ela já tinha perdido a mãe
    Pensamentos das famílias era o multicaixa
    Minha avó com lágrimas nos olhos se pós a pensar
    Meu Deus o quê que eu vou fazer com essas crianças?
    Como homem meu avô teve que tomar a decisão
    Juro éramos mais de 12 dentro da mesma casa
    Quando faltava pão sobrava para o meu avô
    O matabicho era o que a gente jantava

    Do outro lado a família que tem a maioria
    Nos davam os 100 e tal e os 300 eles esbanjavam
    Do outro lado a família que tem a maioria
    Com a criança deficiente nem se importavam
    Do outro lado a família que tem a maioria
    Por ser direito dele ainda lhe humilhavam
    Do outro lado a família que tem a maioria
    Só pensavam no dinheiro

    Depois da morte da minha avó diziam ajudar
    Só que a puta dessa ajuda a gente nunca via
    Quando faltava fralda e também a medicação
    Era a minha avó ou tia quem supria
    Agora que ele morreu temos a conclusão
    Que a maior ajuda não veio do multicaixa
    Quando faltava fralda eu tirava do meu dinheiro
    Maior ajuda veio de quem não trabalhava

    E quando havia festa em casa eu lhe metia no meu colo
    Entre qualquer visita eu sempre dançava com ele
    Muitos me davam de louco mas no final havia um sorriso
    Quando descobriam que eu é que cuidava dele

    E quando havia festa em casa eu lhe metia no meu colo
    Entre qualquer visita eu sempre dançava com ele
    Muitos me davam de louco por eu beijar e abraçar
    Sem ter vergonha de alguém deficiente


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