exibições de letras 7.956

Sociedade dos Homens Invisíveis

Carlos Eduardo Taddeo

Letra

    Pode me crucificar mas eu não acho justo
    Um faminto e o outro com trinta carros de luxo
    Pra uma classe salpicar ouro em pó no croissant
    A outra tem que ser privada do café da manhã
    O industrial só tem sua área vip na balada
    Porque o mapa da fome é habitado por fantasmas
    Porque no Poltergeist local andamos no talco
    Que nos reduz a ficha criminais, atestados, corpos
    Nervo óptico atrás da manta de aramida
    Não vê Pixotes, Christiane F. prostituída
    Não vê os vultos com inclinações vocacionais
    Violentados por merenda com coliformes fecais
    Preocupados em pôr botões do pânico no pingente
    No vibrador, na obturação do dente
    Se quer se erguer a obra-prima da ignorância
    Com vigilância contrata 70 mil mão brancas
    Onde promotor não vai no banheiro sem guarda-costa
    Pra não acabar afogado na própria bosta
    Somos espectros que falam em código no Motorola
    Que inventam álibis destroem testemunhas e provas
    Que são taxados pela tabela de preço do inferno
    200 Mil pro delegado rasgar o inquérito
    As estatísticas dos corpos irreconhecíveis
    São as coordenadas pra sociedade dos homens invisíveis

    50 Mil mortes, 15 milhões de armas
    É a latitude e longitude da sociedade fantasma
    Onde os homens invisíveis só são enxergados gritando
    Deita filho da puta, não reage que é assalto!
    50 Mil mortes, 15 milhões de armas
    É a latitude e longitude da sociedade fantasma
    Onde os homens invisíveis só são enxergados gritando
    Deita filho da puta, não reage que é assalto!

    Sem poder medíunico apresento os fantasmas
    Que sobrevivem com 70 reais per capitas
    São forçados a se vestir de palhaço
    Segurando seta de novo empreendimento imobiliário
    Que deviam estar na busca do Google no vale do silício
    Não pedalando pra entregar contigo
    Quem disse que burguês não faz festa regada a cerveja
    Com inscrições e farinha na bandeja
    Tem uma rede comemorativa por cada Nissan
    Vendido por nossas bandeiras tremuladas do amanhã
    No forno crematório invisível só ganha vida
    Assinando por extenso em ficha como latrocida
    Bum, playboy, tomou no cu
    Fantasma nada camarada se materializa de uru
    É só a empregada lavar a calçada que o terror em Amityville
    Entra em cartaz por uma hora em Alphaville
    Repórter sequestrado em troca mensagem televisiva
    É o recado de que pobre não é robô que respira
    Dei inspiração de cenário cinematográfico
    Usado pra lei Rouanet em prêmio em gramado
    Personagem que o cuzão deprecia no stand-up
    Fez a cidade de onde ele roda de McLaren
    357 é o CEP dado por antropófagos insensíveis
    Pra sociedade dos homens invisíveis

    50 Mil mortes, 15 milhões de armas
    É a latitude e longitude da sociedade fantasma
    Onde os homens invisíveis só são enxergados gritando
    Deita filho da puta, não reage que é assalto!
    50 Mil mortes, 15 milhões de armas
    É a latitude e longitude da sociedade fantasma
    Onde os homens invisíveis só são enxergados gritando
    Deita filho da puta, não reage que é assalto!

    As armas nunca vão ser abaixadas
    Num país que da bolo de fruta pra assassino de farda
    Metralham o carro do mano que não tinha passagem
    Aplausos do grã-fino, caixinha, homenagem
    Aqui nem verifica a pupila o pulso
    Deu entrada no PS já é defunto
    A ordem do ministério da saúde é clara
    Sem medicação pro invisível ferido a bala
    País negrofóbico, pobrefóbico
    Põe placas nas favelas como pra animais em zoológico
    Em vez de desfavelizar colocam aviso
    Área de risco pra proteger rico
    Pedir pra Deus os milhares de AVC pra foder
    Que assinam as vísceras expostas das classes D e E
    Muito boy faz jus a punição da Somália
    Ser enterrado até o pescoço e ter a cabeça apedrejada
    Quem oferece febre tifoide e hepatite
    Merece comer os próprios miolos misturados no Nesfit
    Prometa pra si, que pra porra de um celular
    Não vai deixar sua família de um médico escutar
    Tamo tentando refazer o nariz, o céu da boca
    Reza mãe, quando é fuzil a chance é pouca
    Nossas fotos tem que estampar empresas e ministérios
    Não grafites póstumos em muros de cemitérios
    Chega de só através de nome em processo
    Quem não recebe bom dia deixa a condição de espectro

    50 Mil mortes, 15 milhões de armas
    É a latitude e longitude da sociedade fantasma
    Onde os homens invisíveis só são enxergados gritando
    Deita filho da puta, não reage que é assalto!
    50 Mil mortes, 15 milhões de armas
    É a latitude e longitude da sociedade fantasma
    Onde os homens invisíveis só são enxergados gritando
    Deita filho da puta, não reage que é assalto!

    Composição: Carlos Eduardo Taddeo. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por victor. Revisões por 5 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Carlos Eduardo Taddeo e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção