exibições de letras 2.023

A Semelhança do Saco Pro Papo

Poeta J Sousa

LetraSignificado

    Eu já um cabrão taludo
    Inda era meio bunda mole
    Já até com barba e tudo
    Mas frouxo que só um fole
    Tinha um medo de muié
    Que parecia um Mané
    E parece nem ser verdade
    Mas já ficando careca
    Eu não usava cueca
    Nem quando ia pra cidade

    Só depois que eu comecei
    Namorar com Benedita
    Fui na cidade e comprei
    Uns quinze metros de chita
    E mandei Dona Rebeca
    Transformar tudo em cueca
    Não pra mode arrancar toco
    É que as vezes o namorado
    Precisa andar armado
    E a cueca esconde um pouco

    Fui num domingo cedinho
    Pra casa da namorada
    Porém no meio do caminho
    Precisei fazer parada
    Pra passar um telegrama
    Corri pra trás dumas rama
    Lá dentro do matagal
    E pra cueca num sujar
    Eu tive então que tirar
    E dipindurar num pau

    O serviço terminado
    Novamente me vesti
    Por não ser acostumado
    Da cueca me esqueci
    Montei no jegue apressado
    Quando de pano rasgado
    Um estalo eu escutei
    Pensei ou cueca falsa
    Mais deixa que foi a calça
    Que descoseu palmo e mei

    Ai senti um vento gelado
    Bem na porta da cozinha
    Pensando que se resgado
    A cueca era quem tinha
    Saí com o Zezinho de fora
    E balancei as esporas
    Na barriga do jumento
    Quando cheguei Benedita
    Mais sua mãe Expedita
    Mandaram eu entrar pra dentro

    Aí'trouxeram por desaforo
    Um tamburete enfadado
    Desse do texto de couro
    O bicho tava furado
    Só deu tempo eu me sentar
    Pros pissuitos passar
    No buraco do danado
    E eu de perna encruzada
    Sem tá sabendo de nada
    E os troço lá pendurado

    Nesse dito tamburete
    A velha tinha tratado
    Dum galo que de porrete
    O velho tinha matado
    Aí quando a velha deu fé
    Disse pra filha, mulher
    Nós lavemos na carreira
    Valei-me meu São Gonçalo
    Lá está o papo do galo
    A pregado na cadeira

    Vá conversar com o rapaz
    Pra mode ele se enterter
    Que eu vou aqui por detrás
    Vê o que eu posso fazer
    Dei fé chegou Benedita
    Com umas conversa bonita
    Umas prosas uns arrodeio
    Foi quando eu senti patrão
    Lá em baixo um repuxão
    Que eu fui na Lua e voltei

    E velha ficou puxando
    Com uma força da mulesta
    Benedita conversando
    E eu só franzindo a testa
    Me danei logo a suar
    Com vontade de gritar
    De chorar me deu veneta
    Benedita me espiando
    Conversando tapiando
    E eu só fazendo careta

    Disse a velha resmungando
    No papo não tem nadinha
    Aqui eu só tô notando
    Uns dois ovos de rolinha
    Um galo comendo ovo?
    Vou ter que contar pro povo
    Aí sacou da peixeira
    Foi quando eu dei um pinote
    Passei por riba dum pote
    Saí em toda carreira

    Tá bêba velha danada
    Escapei dessa fedendo
    Butei o pé na estrada
    Saí comigo dizendo
    Enquanto vida tiver
    Vou lembrar dessa mulher
    Num esqueço nunca mais
    E pra sentar numa cadeira
    Mermo a calça tando intêra
    Ainda passo a mão por trás

    Enviada por Poeta. Revisões por 3 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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