
Farmácia e funerária
Poeta J Sousa
A farmácia torce muito
Para o povo adoecer
Pois com doença ela pode
Os seus remédios vender
A funerária somente
Torce para o doente
Da doença falecer
A funerária quer ver
De gente morta um montão
Pois é com mortos que ela
Pode vender seu caixão
Com muita gente doente
A farmácia diariamente
Fatura um dinheirão
Essas funerárias são
Aos urubus iguais
Espera os vivos morrerem
Que a morte lhes satisfaz
As doenças aumentando
As farmácias saem ganhando
Muitos milhões de reais
As farmácias vão pra trás
Se ninguém adoecer
E as funerárias fecham
Se pessoas não morrem
As doenças e a morte
Faz de modo muito forte
As duas sobreviverem
Para as farmácias terem
Os cofres cheios de grana
Torcem pra que as doenças
Aumentem toda semana
As funerárias enricam
Crescem e se multiplicam
Somente com morte humana
A farmácia é desumana
A funerária também
Uma vive da doença
Que para os humanos vem
E a outra com certeza
Só vive e tem grandeza
Com a morte de alguém
Quanto mais doença tem
No povo a todo momento
As farmácias acham bom
Pra vender medicamento
E em toda a nação
A vendagem de caixão
Com mais morte tem aumento
Doença traz sofrimento
Pra quem está adoentado
Mas faz bem para as farmácias
Pois dá um lucro danado
A funerária tem lucro
Com caixão e com sepulcro
De quem se finado
Quanto mais adoentado
Mais a farmácia enrica
Com mais morte a funerária
Mais milionária fica
Pra farmácia e funerária
A doença é necessária
E a morte uma boa dica
Quando uma cobra pica
Uma pobre criatura
Pra funerária, se ela
Morrer é beleza pura
Mas se doente ficar
A farmácia vai lucrar
Com aquela doença dura



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