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Ninguém Merece

Poeta J Sousa

Letra

    Estou vivendo a vida
    Sem pai, sem mãe, sem irmão
    Sem ter no bolso um tostão
    Pra comprar minha comida
    Uma casa por guarida
    Eu também não estou tendo
    O que eu vivo comendo
    Nem cachorro quer comer
    Ninguém merece viver
    A vida que estou vivendo

    Eu estou passando agora
    Por um grande desespero
    Sem emprego e sem dinheiro
    E bolsos virados pra fora
    Todo dia e toda hora
    Mais dívidas estão chegando
    E o dinheiro faltando
    Para as dívidas pagar
    Ninguém merece passar
    Pelo que estou passando

    Sinto uma dor muito forte
    Me deixando abatido
    Perdi o meu pai querido
    E sete irmãos na morte
    Estou andando sem norte
    Aqui Acolá caindo
    Deste sofrimento infindo
    Não consigo mais sair
    Ninguém merece sentir
    A dor que estou sentindo

    A fome que passo é tanta
    Que chega meu couro é grosso
    Quando consigo um almoço
    A noite não tenho a janta
    Eu só bebo uma fanta
    Quando de um mendigo eu tomo
    Nunca comprei sabão Omo
    Para roupa limpa ter
    Ninguém merece comer
    O bocado que eu como

    Minha rua é um deserto
    Cheia de lama e espinho
    Ela fica bem pertinho
    Dum esgoto a céu aberto
    E, além disso, tem perto
    Tanta droga que eu choro
    Pra sair de lá imploro
    Ao meu Deus sem parar
    Ninguém merece morar
    No lugar onde eu moro

    A cama que eu durmo nela
    É feita só de pau torto
    Eu me sinto quase morto
    Depois que levanto dela
    Sinto dores na costela
    No quadril e no meu peito
    Meu colchão também é feito
    De arame e pode furar
    Ninguém merece deitar
    Na cama que eu me deito

    O meu quarto de dormida
    É um cubículo daquele
    Que ninguém quer dormir nele
    Nem uma noite na vida
    Uma parede caída
    E o teto quase caindo
    Eu de lá estou saindo
    Por que ele vai cair
    Ninguém merece dormir
    No quarto que tô dormindo

    Eu bebo água dum poço
    De dez metros de fundura
    A água é bem impura
    E parece um caldo grosso
    Quando a bebo, seu moço
    Fico com a boca fedendo
    E para o povo dizendo
    Com essa água vou morrer
    Ninguém merece beber
    A água que estou bebendo

    Minha mulher na cachaça
    É viciada demais
    E quando ela bebe faz
    Em casa a maior desgraça
    Deita no banco da praça
    Com o corpo todo pelado
    Me deixando envergonhado
    E muito triste a chorar
    Ninguém merece casar
    Com a mulher que sou casado

    Eu levo no espinhaço
    Uma carga muito larga
    Pra me livrar dessa carga
    Não sei mais o que eu faço
    Me sinto só o bagaço
    Cada dia mais cansando
    E eu já estou notando
    Que não vou mais aguentar
    Ninguém merece levar
    A carga que estou levando


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