exibições de letras 40

O Grito Que a Doida Deu

Poeta J Sousa

Letra

    Uma doida em Soledade
    No fim do ano passado
    Deu um grito tão danado
    Que abalou a cidade

    Um leão quebrou a grade
    Saiu da jaula e correu
    Um barrão endoideceu
    E um véi caiu da sacada
    Por causa da barulhada
    Do grito que a doida deu

    O padre Manoel Gaspar
    Dava um sermão bonito
    Mas quando escutou o grito
    Correu doido do altar

    A freira correu pra um bar
    Pediu cachaça e bebeu
    Depois caiu e morreu
    Com a mão virada pro norte
    Por causa do som tão forte
    Do grito que a doida deu

    O senhor José Maria
    Era o doutor delegado
    Ficou muito agoniado
    Correu da delegacia
    Os presos que ali havia

    Um por um escafedeu
    E o sargento Romeu
    Filho de seu João de coco
    Ficou maluco e moco
    Com o grito que a doida deu

    No hospital São Vicente
    O medico se agoniava
    E a toda hora chegava
    Carro com gente doente
    De tanto atender gente

    O medico adoeceu
    A enfermeira pendeu
    Rodou e caiu no chão
    Por causa do barulhão
    Do grito que a doida deu

    Ficou a cidade escura
    Pois toda lâmpada quebrou
    O comercio se fechou
    Por ordem da prefeitura

    Um engenho de rapadura
    Nesse dia nem moeu
    E quem tava lá correu
    Que o pé batia na bunda
    Devido à zoada imunda
    Do grito que a doida deu

    A cidade ficou cheia
    De animal atordoado
    Correndo pra todo lado
    E a coisa ficou feia
    Com trinta léguas e maia

    Muita gente ensurdeceu
    E o prefeito Bartolomeu
    Vendo a barbaridade
    Decretou calamidade
    Do grito que a doida deu

    E no infeliz momento
    Que o grito ela soltou
    De repente endoidou
    Burro, cavalo e jumento
    Com esse grito nojento

    Até pedra amoleceu
    Trinta cachorros morreram
    E um gato não ficou
    A cidade desertou
    Com o grito que a doida deu

    Severino aleijado
    Correu nu só de cueca
    Seu Raimundo era careca
    Mas ficou arrepiado
    Tinha um mudo sentado

    Na calçada de Abreu
    Mundo desde que nasceu
    Mas nesse dia falou
    E disse eita que horror
    O grito que a doida deu

    Caçaram a doida danada
    Para fazer um estudo
    Mas a doida vendo tudo
    Correu louca em disparada

    Entrou na mata fechada
    Nunca mais apareceu
    A cidade estremeceu
    E ficou se balançando
    Até hoje está zoando
    Com o grito que a doida deu

    Composição: Poeta J. Sousa. Essa informação está errada? Nos avise.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Poeta J Sousa e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção