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Uma Seca No Sertão

Poeta J Sousa

Letra

    Uma seca no sertão
    Faz um estrago danado
    Seca rios e açudes
    E o chão fica ressecado
    E pra nosso desconforto
    Caveira de gado morto
    É visto por todo lado

    Na seca a terra fica
    Rachada e muito quente
    Barragem nenhuma sangra
    O rio não dá enchente
    Para carregar os lixos
    Falta pasto para os bichos
    E alimento pra gente

    As matas viram garranchos
    As folhas caem no chão
    Sem semente e sem abrigo
    Muitas aves do sertão
    Rapidinho sem demora
    Batem asas, vão embora
    Para outra região

    Uma seca com certeza
    Traz um péssimo resultado
    Por todo lado a gente
    Só ver caveira de gado
    Que a fome ingrata matou
    Porque o pasto faltou
    No chão seco e rachado

    Na seca o sertanejo
    Vai para a roça plantar
    Mas para sua tristeza
    Não ver a chuva chegar
    A planta ninguém socorre
    Na cova a semente morre
    Não chega nem germinar

    Uma tristeza profunda
    O pobre roceiro sente
    Quando acorda de manhã
    Que olha para o nasente
    E vê da porta de casa
    O Sol vermelho igual brasa
    Saindo já muito quente

    A fome mata ovelha
    E gado a semana inteira
    Só escapa jegue e bode
    No meio da capoeira
    Porque come fruta pêca
    Papel velho, folha seca
    Também casca de madeira

    Numa seca tão cruel
    Tão horrível e tão ferina
    Se acaba o verde da mata
    Da região nordestina
    O alimento se some
    Morre até gente de fome
    Que a seca é assassina

    Numa seca o sertanejo
    A sofrer é condenado
    Pai de família se obriga
    Saquear feira e mercado
    Budega e armazém
    Pra dar aos filhos que têm
    O alimento tomado

    Na seca o vento traz
    Em vez de chuva, poeira
    Enchendo as nossas casas
    De folha, terra e sujeira
    Que vem do mato e da gruta
    Aumentando mais a luta
    Da nordestina roceira

    A dona de casa vai
    Com um cansaço estafante
    Com uma lata na cabeça
    Buscar água bem distante
    Com os pés empoeirados
    E os braços tão cansados
    Que para de instante em instante

    A seca sem dúvida alguma
    Pra nossa terra só traz
    Aflição para os humanos
    E morte pros animais
    E nos campos do sertão
    Se acaba a vegetação
    Que tão bem aos bichos faz


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