exibições de letras 24

Vingaça do Tempo

Poeta J Sousa

Letra

    Sem falar o destino nos ofende
    Sem ter arma nos gera cicatriz
    A cadeia dos anos quando prende
    Não aceita habeas corpos de juiz
    A doença aparece não avisa
    E só o tempo é um marco de divisa
    Separando velhice e mocidade
    Essa prova quem faz não sabe a nota
    E cada dia é um peso que Deus bota
    Na carrada do frete da idade

    Sem receio das multas abusivas
    No autódromo da ruga a lagrima corre
    Nossos olhos parecem fontes vivas
    Onde o rio do pranto nasce e morre
    O deserto na área dos cabelos
    Com o tempo tão pouco são os pelos
    Que nem é necessário usar um pente
    Quando menos se espera a vida é pega
    E a mensagem da morte quando chega
    O leitor desconhece o remetente

    Quando a gente envelhece a vida ensina
    Que o cansaço é um monstro a ser vencido
    Pesadelo faz parte da rotina
    E esperança é sonho adormecido
    Sem o a os pulmões perde o impulso
    Qualha o sangue na veia falta o pulso
    Por não ter mais saúde de reserva
    Um dos lados do corpo fica manco
    E todo rosto é um quadro e preto e branco
    Que o museu da velhice não conserva

    Quem se torna refém dessas mudanças
    Não consegue esconder as frustrações
    Todo peito é um caixa de lembranças
    Rejeitando deposito de ilusões
    Incha os pés, treme as mãos, cresce a barriga
    E o fusível dos olhos se desliga
    E as emendas das juntas dão problema
    Todo mundo depois que se aposenta
    Sente a vida passando e câmera lenta
    Como cena de filme de cinema

    Para muito distante os sonhos vão
    Quando a barba embranquece como gesso
    Os momentos finais da vida são
    Totalmente ao contrário do começo
    Quando a ultima alegria vai-se às pressas
    Já não são mais cumpridas as promessas
    E a sentença é levada a ultima instância
    É efêmero o estagio do prazer
    E a saudade revela sem querer
    O retrato falado da infância

    Quando a vida começa a dá sinais
    Que o vigor jovial entrou de férias
    Sem revolver escalado o tempo faz
    Um assalto na força das matérias
    As viagens são feitas com limite
    Passa a ser controlado o apetite
    Vira o corpo uma bomba sem ogiva
    Esperando a contagem regressiva
    Para o míssil da morte ser lançado

    Quem compete com os anos perde a luta
    Sem nenhum artefato de defesa
    Quando o fórum de Deus mostra a minuta
    Decretando a falência da beleza
    As madeixas caindo, a pele inerte
    Não tem creme hidratante que conserte
    Nem um tipo de plástica que ajude
    Na agencia bancário do futuro
    O presente começa a pagar juro
    Do empréstimo que fez na juventude

    Na fronteira do século é Deus quem cobra
    Que a alfândega nos pare e nos reviste
    Passaporte de ida tem de sobra
    Mas passagem de volta não existe
    A pessoa já cresce adaptada
    Sem lembrança do dia da chegada
    E sem certeza da hora da partida
    Vai-se o ente levando os assessórios
    Mesmo sendo por dias provisórios
    Vale a pena ser dono de uma vida


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Poeta J Sousa e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção