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O Desgaste

Polémil Bazar

L'usure

On naît tous la tête à l'envers et l'crâne écrabouillé
On naît tous tout nu comme un ver et plutôt contrarié
On naît dans un curieux mélange de douleur et beauté
On est un amalgame étrange d'un tas d'ambiguïtés

On d'vient, au hasard des tempêtes et des routes empruntées
On d'vient de bizarres girouettes, farouches et entêtées
On d'vient des moutons conformistes ou des chiens enragés
Mais on d'vient tôt ou tard un peu triste, amer et fatigué

On se normalise à l'usure, à force d'additionner nos blessures
À force d'impuissance et de brisures; d'encaisser les coups durs, endurer les brûlures
On se banalise à mesure que nos illusions sont jetées en pâture aux lions
Et ça nous défigure, nous fissure, dans nos convictions les plus pures

Nos meilleures intentions se cassent la gueule sur l'indifférence profonde d'un monde
Où chacun fait cavalier seul, un monde animal, cannibale et immonde
Inondé de barbares hostiles et d'abrutis, saturé de renards aux immenses appétits
Un monde empli d'espoir et d'amour aussi, encore faut-il y croire, moi j'y réfléchis…

Je me tâte, je me sonde, je divague, vagabonde
Déambule dans mon monde minuscule, je me gronde
M'en voulant pour je n'sais quelle raison, je gruge mes ailes
Me cherchant souvent querelle, je me provoque en duel

Moi contre moi, de bonne guerre, bras d'honneur, bras de fer
C'est moi contre ma colère, moi contre tous mes travers
Je me rue de coups d'états d'âme, je me tue à me crier « rame! »
Mais je prends l'eau comme tous les blâmes, m'esquintant à sauver ma flamme

On naît où le hasard nous pose, chanceux ou mal tombé
On d'vient ce qu'on peut, ce qu'on ose ou c'qu'on nous a dicté
On meurt, qu'on soit déçu ou fier, de bon ou mauvais gré
On meurt sans la clé du mystère et la page est tournée

O Desgaste

A gente nasce com a cabeça pra baixo e o crânio amassado
A gente nasce pelado como um verme e bem contrariado
A gente nasce num curioso misto de dor e beleza
A gente é um amálgama estranho de um monte de ambiguidades

A gente se torna, ao acaso das tempestades e dos caminhos trilhados
A gente se torna umas girândolas estranhas, ferozes e teimosas
A gente se torna ovelhas conformistas ou cães raivosos
Mas cedo ou tarde a gente fica um pouco triste, amargo e cansado

A gente se normaliza pelo desgaste, somando nossas feridas
Pela impotência e pelas quebras; levando os golpes duros, suportando as queimaduras
A gente se banaliza à medida que nossas ilusões são jogadas aos leões
E isso nos desfigura, nos fere, nas nossas convicções mais puras

Nossas melhores intenções se quebram na indiferença profunda de um mundo
Onde cada um é um lobo solitário, um mundo animal, canibal e imundo
Inundado de bárbaros hostis e de idiotas, saturado de raposas com apetite voraz
Um mundo cheio de esperança e amor também, só que é preciso acreditar, eu fico pensando...

Eu me analiso, eu me sondar, eu divago, vago
Andando pelo meu mundo minúsculo, eu me repreendo
Me culpando por não sei qual razão, eu corroo minhas asas
Me procurando briga, eu me provoque em duelo

Eu contra eu, de boa guerra, dedo do meio, braço de ferro
Sou eu contra minha raiva, eu contra todos os meus defeitos
Eu me atiro em crises de alma, eu me mato gritando "rema!"
Mas eu afundo como todas as culpas, me desgastando pra salvar minha chama

A gente nasce onde o acaso nos coloca, sortudo ou mal colocado
A gente se torna o que pode, o que ousa ou o que nos foi ditado
A gente morre, que sejamos decepcionados ou orgulhosos, de bom ou mau grado
A gente morre sem a chave do mistério e a página é virada

Composição: