Cynique Amniotique
Une nuit, la haine m'est apparue
Sous sa forme la plus immonde, la plus crue...
Répulsive, névralgique, dénuée de faux semblants
Mais qui ne dit mot consent
Pour nos mensonges, pour l'existence anémiée
Encore faut-il exister
A trop se taire, on finit par en rester
Là où tout se pardonnait
Oubliés, les non-dits
Médiateurs, sont les coups
Transmettant leur vaine incommunication
L'hypocrisie vole en éclats, les miroirs rient aux éclats
Mais qui ne dit mot consent
Qui ne dit mot consent
Doit-on demeurer témoin passif de la dégradation triviale d'un quotidien falsifié ?
Les figures emblématiques se muent en pathétiques lorsqu'on les voit s'effriter
Ralenti tenace
Comme un écran
La terreur permanente faisait comme de la neige
Ralenti sans avance rapide
Visions d'horreur
Sans moniteur
Cynique amniotique
Chair pas si chère
Cellule hier hypnotique
Jadis conseillère
Plus dure sera la chute
Plus éternelle votre rechute
Chair pas si chère
Plus rien ne compte
Et je n'oublierai pas
Les yeux fermés me guident tout droit
Vers cet obscur transfert des nerfs
Le cercle est vicieux
Le cocon submersible
L'avenir fielleux
Le passé risible
Je ne consens pas
Cínico Amniótico
Uma noite, o ódio me apareceu
Na sua forma mais imunda, a mais crua...
Repulsivo, neurálgico, sem falsos disfarces
Mas quem não diz nada consente
Por nossas mentiras, pela existência anêmica
Ainda é preciso existir
Ao se calar demais, acabamos por ficar
Lá onde tudo se perdoava
Esquecidos, os não ditos
Mediadores, são os socos
Transmitindo sua vã incomunicação
A hipocrisia se despedaça, os espelhos riem à toa
Mas quem não diz nada consente
Quem não diz nada consente
Devemos permanecer testemunhas passivas da degradação trivial de um cotidiano falsificado?
As figuras emblemáticas se tornam patéticas quando as vemos se desmoronar
Acelerado tenaz
Como uma tela
O terror permanente fazia como se fosse neve
Acelerado sem avanço rápido
Visões de horror
Sem monitor
Cínico amniótico
Carne não tão cara
Célula ontem hipnótica
Antigamente conselheira
Mais dura será a queda
Mais eterna sua recaída
Carne não tão cara
Nada mais importa
E eu não esquecerei
Os olhos fechados me guiam direto
Para essa obscura transferência dos nervos
O círculo é vicioso
O casulo submerso
O futuro traiçoeiro
O passado risível
Eu não consinto