Soleil du nord
Ici Paris, il est tard, le bitume reflète les phares
Au bas du thermostat on bronze à la carte postale
Longtemps pendant mon jeune âge
Je pensais que l'usine faisait les nuages
L'eau potable est-elle cancéreuse ?
Les nuits d'hôpital deviendraient coûteuses
Ils disent qu'en ville on aime pas parler,
Qu'ils viennent vivre à mille au mètre carré
chacun son cube, y vieillir, dans les tentacules de la solitude
Soleil du nord, soleil du nord,
Soleil du nord quand au deuxième semestre
Le mauvais temps insiste et le clown se défenestre
Encore un jour sans ombre
Quand l'astre est à son zénith
Ma ville un tissu cousue de périphériques
Le printemps nous transforme en sauvages
Au premier rayon on plonge sans plage
On attend l'été pour s'entasser chez les autres
Ces gens du sud à l'accent chaud
On ne partage pas les mêmes horizons
Pour vivre les vôtres nous cotisons
J'voudrais vous y voir à courir les bidonvilles
Rêvant de tours d'ivoires où élever ta fille
Soleil du nord, soleil du nord
Famille nombreuse avec un seul salaire
C'est voir la mère à vingt ans et dix-neuf étés de galère
L'hiver dure trois saisons
Quarante ans de crédit la belle maison
Chaque semaine grossit le jackpot
Les temps durcissent
Les copains n'ont plus de clopes
Coincés dans d'horribles jeans
Entre l'avenir et nos origines
Au fond ça va dans l'hexagone
On cherche les ficelles tire sur la corde
On se passe de conseil
Il me semble que la misère serait moins pénible au soleil…
Sol do Norte
Aqui em Paris, já é tarde, o asfalto reflete os faróis
No fundo do termômetro, a gente bronzeia na cartinha
Por muito tempo, na minha juventude
Eu achava que a fábrica fazia as nuvens
A água potável é cancerígena?
As noites no hospital ficariam caras
Dizem que na cidade a gente não gosta de falar,
Que venham viver mil por metro quadrado
Cada um no seu cubo, envelhecendo, nas tentáculos da solidão
Sol do norte, sol do norte,
Sol do norte quando no segundo semestre
O mau tempo insiste e o palhaço se joga pela janela
Mais um dia sem sombra
Quando o astro está no seu zênite
Minha cidade é um tecido costurado de periféricos
A primavera nos transforma em selvagens
No primeiro raio a gente mergulha sem praia
Esperamos o verão pra nos amontoar na casa dos outros
Essas pessoas do sul com sotaque quente
Não compartilhamos os mesmos horizontes
Pra viver os seus, a gente contribui
Eu queria ver vocês correndo pelas favelas
Sonhando com torres de marfim pra criar sua filha
Sol do norte, sol do norte
Família grande com um único salário
É ver a mãe aos vinte anos e dezenove verões de aperto
O inverno dura três estações
Quarenta anos de crédito pra uma casa bonita
A cada semana o jackpot aumenta
Os tempos estão difíceis
Os amigos não têm mais cigarro
Presos em jeans horríveis
Entre o futuro e nossas origens
No fundo, tá tudo bem na França
A gente busca as cordas, puxa a corda
Dispensamos conselhos
Parece que a miséria seria menos penosa sob o sol…