
Mal de Gente
Quarteto Coração de Potro
Diz que ali na Estância Doce
Eles andam mal de gente
O tempo, por justo, trouxe
O revés de antigamente
Pois já tiveram fartura
Campo e mangueira de sobra
Sede boa, estrutura
E o principal: Mão de obra
Já não querem mais serviço!
Bem assim diz o patrão
Com seu rosto branco e liso
E nem um calo na mão
A verdade que lhe amarga
É ser escravo do ego
Ter martelo, tábua larga
Sem saber pregar um prego
Parece ter olvidado
O velho Ivo Ribeiro
Que foi embora quebrado
Pra se curar no povoeiro
Sem dinheiro pro remédio
E agora sem emprego
Remoendo a lembrança
Do bagual oveiro negro
E o Alcides, Zóio Torto
Que, sem pensar no salário
Salvou quem estava morto
Segundo o veterinário
Não pôde ficar na estância
Para cuidar os seus filhos
Foi morar no arrabalde
Num ranchito beira trilho
Eles andam mal de gente
Me admira que reclamem
Sem saber tirar um tento
Nem emendar um arame
Deixaram que fosse embora
O caseiro João Perdomo
Ficou o pátio coberto
Com as folhas de cinamomo
O anoni tomou conta
Onde foi bueno de pasto
E o cancelão da chegada
Está quebrado, de arrasto
Por isso que, francamente
Juro que não me assusto
Eles andam mal de gente
Por não pagar o que é justo



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