exibições de letras 1.026

Cordel do Alicrope

Quininho de Valente

LetraSignificado

    Acontece que isturdia
    Eu, matuto do lameiro
    Tabaréu caatingueiro
    Saí pra roça caçar
    Vesti as carças
    Minhas butinas zeradas
    Só três anos de comprada
    Que faz pena inté gastar
    Levei marmita, um facão, a cartucheira
    Vesti também as perneira
    Pras cobras num me morder
    Passei na casa do cumpade seu Ufrazo
    Um mateiro dos danado
    Num dá tiro pra perder
    Fumo pros mato pra mode caçar teiú
    Andando sempre pru sul
    Mode num desencontrar
    Subimo serra, entremo pelas caatinga
    No Riacho da Mantinga
    É que o causo vêi se passar
    Lá pra mei dia, já tava desanimado
    Surubi mais o Maiado
    Começaram a latir
    Me apareceu uma baruêra danada
    Pro trás duns pé de quixaba
    O maior passo que eu já vi
    Gritei: cumpade, ói o tamanho do berrador
    Tu que é véi de caçador
    Já viu rola de trinta arroba?
    E o cumpade com os zói arregalado
    Já tava todo mijado
    De medo da coisa doida
    Era comprida, tinha três ou quatro braças
    Com um cabão e uma coraça
    E um cataventão enriba
    Arredondado, tinha uns quatro zói de vrido
    E os pés de dividido
    Parecia duas ripas
    Oiêi pra trás e num vi mais o cumpade
    Só escutei o alarde
    Da caatinga se quebrano
    O fio da peste correu me deixou só
    Sem saber o que era pior
    Com aquele bicho me oiano
    Aí me deuuma corágem repentina
    Passei mão na carabina
    E piquei fogo do taco
    E acertei no catavento de trás
    Que era mais pequeno, mas
    O bicho começou rodar
    Fez fumaceiro, rodava que nem pião
    Se estribuxou no chão
    E aquetou os catavento
    Daí então foi que aumentou meu susto
    O bichão abriu o bucho
    E sartou dois home de dento
    E me oiaram com umas cara de enraivado
    Mesmo eu tendo sarvado
    Os cabras daquela fera
    Os dois ingratos puxaram foi dois revolve
    Eu não sou besta em mole
    Passei cebo nas canelas
    Atropelei mandacaru e cansanção
    Corri que nem um sardão
    Enrabado com um menino
    Cheguei em casa amarelo de cansado
    A mulé me viu lascado
    Inda ficou foi surrino
    Minha mulé, é mulé esclaricida
    Já viu tudo nessa vida
    Foi inté em Sarvador
    Aí então contei o causo todo pra ela
    Ela ficou assombrada
    E deu risada que engasgou
    Ela me disse que já viu daquele bicho
    Que não é nenhum feitiço
    É que nem um artomove
    E me falou que eu tava complicado
    Pois eu tinha acabado
    De matar um alicrope
    De matar um alicrope
    De matar um alicrope
    De matar um alicrope
    De matar um alicrope


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Quininho de Valente e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção