395px

Ouro e Platina

Rade

Oro y Platino

Y volví a pelear, me cansé de llorar
Por muy duro que sea el camino
Aprendí de mamá que debo confiar
Aunque a veces me sienta perdido

Aparté de mi lado las dudas
Mi destino es de oro y platino
No doy un paso atrás, yo nací para ganar
No esperes que me dé por vencido

Mi primer recuerdo creo que fue a los tres años
Pagaría por volver a esa época de antaño
Donde casi no me pesaba la carga de mis fallos
Porque mis preocupaciones tenían mi mismo tamaño

Mi primer amor con cuatro, cuánta nostalgia
Hay recuerdos que no pierden su fragancia
De vez en cuando hablo con ella y siento aún la misma magia
Aunque estemos a miles de kilómetros de distancia

A los once escuché mi primera canción de rap
En la habitación del Dani, era algo de SFDK
Me puse a escribir y la verdad que menos mal
Porque si no, hoy no sé con qué me ganaría el pan

A los trece repetí primero, fumé mi primer porro, eché mi primer polvo
Mi padre se enfadaba por mis pintas de rapero
Ahora gano más que él y me levanto cuando quiero

A los catorce mi madre enfermó, algo en el pulmón
Le dieron seis meses de vida
Me enseñaste a luchar con valor
Que con ganas y amor curas cualquier herida

Conocí a mi hermanito de otra sangre
Con el mismo sueño, con el mismo hambre
Queríamos triunfar en el rap y ser cantantes
Nos metimos al estudio y desestimamos el plan B

Recuerdo cuando cumplí dieciséis
Bajé con mis chavales por el centro a celebrarlo
Pedían el DNI en la puerta de la discoteca
Mi hermano me enseñó cómo y aprendí a falsificarlo

A los diecisiete te conocí
La famosa chica de las Air Force y la sudadera gris
Tú sacabas buenas notas, yo me copiaba de ti
Supe que eras para mí desde el momento en que te vi

No me equivocaba, me sangraban los nudillos, tú me los curabas
La lluvia cesaba cuando me abrazabas
Por más de una década fuiste la única que durmió en mi cama
Las cosas más bonitas son las que se acaban

Cumplí dieciocho por el 2013
Me fui de casa con mi hermano un par de meses
El sabor de esos días no se va de mi memoria
Escribimos tres canciones, el resto es historia

Luego llegaron los viajes y las giras
La presión en la sien de estar en el punto de mira
Las ostias en la calle, mis mil caídas
Sin darme cuenta, fui yo mismo quien se complicó la vida

Me sumergí dentro de la oscuridad
Dejé pasar el tiempo y alguna oportunidad
Casi ni escribía, del ciego no veía, me pasaba todo el día
Colocado en el soportal

Con veintitrés se me fue mi madre
Después de estar más de ocho años de pelea contra el cáncer
Ahí aprendí que hay que regar las flores porque un día es tarde
Y que hay heridas que nunca dejan de arder

A los 27 desperté, cambié el rumbo de mi vida
Volví a confiar otra vez
A escribir todos los días
A remontar el sueño que descuidé
A quererme y a creer, me abracé y me perdoné

Y volví a pelear, me cansé de llorar
Por muy duro que sea el camino
Aprendí de mamá que debo confiar
Aunque a veces me sienta perdido

Aparté de mi lado las dudas
Mi destino es de oro y platino
No doy un paso atrás, yo nací para ganar
No esperes que me dé por vencido

Ouro e Platina

E voltei a lutar, cansei de chorar
Por mais difícil que seja o caminho
Aprendi com minha mãe que devo confiar
Mesmo quando às vezes me sinto perdido

Afastei as dúvidas de meu lado
Meu destino é de ouro e platina
Não dou um passo atrás, nasci pra vencer
Não espere que eu me entregue

Minha primeira lembrança acho que foi aos três anos
Pagaria pra voltar àquela época antiga
Onde quase não pesava a carga dos meus erros
Porque minhas preocupações tinham o mesmo tamanho que eu

Meu primeiro amor aos quatro, quanta saudade
Tem lembranças que não perdem sua fragrância
De vez em quando falo com ela e sinto a mesma magia
Mesmo estando a milhares de quilômetros de distância

Aos onze ouvi minha primeira música de rap
No quarto do Dani, era algo do SFDK
Comecei a escrever e ainda bem que fiz isso
Porque se não, hoje não sei como ganharia meu pão

Aos treze repeti o primeiro, fumei meu primeiro baseado, tive meu primeiro sexo
Meu pai ficava bravo com meu jeito de rapper
Agora ganho mais que ele e me levanto quando quero

Aos quatorze minha mãe adoeceu, algo no pulmão
Disseram que ela tinha seis meses de vida
Você me ensinou a lutar com coragem
Que com vontade e amor se cura qualquer ferida

Conheci meu irmão de outra mãe
Com o mesmo sonho, com a mesma fome
Queríamos brilhar no rap e ser cantores
Entramos no estúdio e deixamos o plano B de lado

Lembro quando fiz dezesseis
Desci com meus amigos pro centro pra comemorar
Pediam o RG na porta da balada
Meu irmão me ensinou como e aprendi a falsificá-lo

Aos dezessete te conheci
A famosa garota do Air Force e do moletom cinza
Você tirava boas notas, eu copiava de você
Soube que você era pra mim desde o momento em que te vi

Não estava errado, meus nós sangravam, você os curava
A chuva parava quando você me abraçava
Por mais de uma década você foi a única que dormiu na minha cama
As coisas mais bonitas são as que acabam

Fiz dezoito em 2013
Saí de casa com meu irmão por alguns meses
O sabor daqueles dias não sai da minha memória
Escrevemos três músicas, o resto é história

Depois vieram as viagens e as turnês
A pressão na têmpora de estar no centro das atenções
As porradas na rua, minhas mil quedas
Sem perceber, fui eu mesmo quem complicou a vida

Me mergulhei na escuridão
Deixei passar o tempo e algumas oportunidades
Quase não escrevia, do cego não via, passava o dia todo
Chapado na marquise

Aos vinte e três minha mãe se foi
Depois de mais de oito anos lutando contra o câncer
Ali aprendi que é preciso regar as flores porque um dia é tarde
E que há feridas que nunca param de arder

Aos 27 acordei, mudei o rumo da minha vida
Voltei a confiar de novo
A escrever todos os dias
A retomar o sonho que deixei de lado
A me amar e a acreditar, me abracei e me perdoei

E voltei a lutar, cansei de chorar
Por mais difícil que seja o caminho
Aprendi com minha mãe que devo confiar
Mesmo quando às vezes me sinto perdido

Afastei as dúvidas de meu lado
Meu destino é de ouro e platina
Não dou um passo atrás, nasci pra vencer
Não espere que eu me entregue

Composição: Rodrigo Acevedo Docal