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Dez Abafo

Rafael Madara

Letra

    A gente tem a impressão de que tá todo mundo tão seguro de si
    E ao mesmo tempo, o número de desordens mentais só aumenta
    Ansiedade, depressão, síndrome do pânico
    Assim como as comidas ruins, comprometem a saúde física
    As ideias ruins, comprometem a saúde psicológica

    Olhando por todos os lados no mar da vida
    O que eu vejo são muitos barcos seguindo a deriva
    Alguns zarpando, outros ancorando
    E o maior engano é achar que nós estamos no comando
    Desde quando nosso nome foi escolhido
    O nosso papel na terra já foi decidido

    Qual é a fé que você deve professar
    Qual é o tipo de roupa que você deve usar
    Quem é pra pegar, quem é pra casar
    Qual é o tipo de pessoa que tu tem que se afastar
    Que cor da pele tu tem que respeitar
    E qual a cor que tu tem que desconfiar
    Qual o casal que tu deve copiar
    E qual casal não deve ter o direito de amar
    Qual é o erro que tu pode perdoar
    Mas qual minoria tu deve condenar

    Eu sei que só com isso você deve perceber
    Que na real foi o mundo que te fez ser você
    Aquela sabedoria que era tão concreta
    Foi costurada em você de forma bem discreta
    A gente não foi ensinado e nunca será
    Que a ideia que mais segura, devemos questionar

    É fácil falar para abrir a mente
    Mas sem um método crítico a gente fica demente
    Um irracional viajado que só reclama
    Que é anti vacina e acredita em terra plana
    Critica sem conhecer a evolução
    Especialista em teoria da conspiração
    Não vê do sistema o seu controle global
    Repete igual papagaio post da page liberal

    Então querendo ou não o papo é reto e sem arrodeio
    A maior mente humana foi produto do seu meio
    Eu anseio que se olhe pra o mundo como ele é
    Não como fábula encantada pra enganar mané
    Não pega no pé do mano que tá na correria
    Um 7 a 1 diário eu sei que ele não queria

    Pensando em solução a mente até pega fogo
    Mas seu time não foi escalado pra ganhar o jogo
    Pra mudar a vida faria o que fosse preciso
    Mas o mundo responde: - Vou ver e te aviso
    E ele tenta todas as fórmulas sem conseguir
    E acaba puxando uma culpa que é sistêmica pra si

    Mas eu preciso vir aqui dizer
    Que sem base ou fundamento eles irão te convencer
    A esperança, a maior força da espécie humana
    Pro charlatão, a maior fonte de poder e grana

    Eu sei seduz o poder que traz o capital
    Mas nada dentro desse circo aqui é natural
    Roupas caras, carros caros, parece bom demais
    Só estamos sendo condicionados igual animais
    Tanto faz, o que importa é a sensação sentida
    E o preço disso só é cobrado no fim da vida

    Toda vez que eu paro e penso eu fico revoltado
    Meus iguais desde cedo sendo sempre explorados

    Sem prévio julgamento, sempre serão culpados
    Por qualquer força de defesa, sempre condenados
    Olho pra minha vida e o que tenho passado
    Desejo suprimido e sonho ignorado
    Um senhorzinho de carroça passa do meu lado
    E eu penso: Porra, como eu sou privilegiado
    Tão pouco me difere dele, mal posso pensar
    Talvez mãe com a sandália me mandando estudar

    Não sei mano, de repente eu me peguei pensando
    Podia ser eu alí, naquele Sol ralando
    Fuçando lixo, tentando sobreviver
    Juntando o dinheiro que desse pra poder comer
    Ser grato pra mim, não é mantra é obrigação
    Com menos sorte, eu poderia estar no crime, irmão

    O presente na verdade é algo tão simplório
    A matemática da vida é simples somatório
    O medo, o ódio, alegria, tédio e quem tu amou
    As vezes que tu caiu e as vezes que tu levantou

    Eu não ouso dizer que sei como foi sua vida
    Achar que sabe o que o outro pensa é uma causa perdida

    Me diga, se o hoje é o produto do passado
    Como nosso ambiente nessa conta é ignorado
    Silenciosamente a gente paga o preço
    De não ter sido ensinado desde o começo
    Que tudo é processo, tudo é caminhada
    E a condição de sucesso está desregulada
    Certos sacrifícios pra alguns de nós é impraticável

    No mercado de trabalho a gente é descartável
    A relação de forças aqui é desigual
    Qualquer tratamento desumano é natural
    E a gente aceita claro, pois tem conta pra pagar
    Mas nada muda e a gente passa a se questionar
    Porra porque eu sou tão fracassado assim?
    Parece que nenhuma porta se abre pra mim

    A gente compra coisas, bebe coisas e se distrai
    E a sensação de fracasso segue onde a gente vai
    É mais fácil convencer que tu é o culpado
    Porque se tu perceber que o mundo tá errado
    Fica fácil ver que a gente não tá condenado
    E o sistema pode ser facilmente superado
    Sem os velhos senhores e sem os velhos reis
    Agora eles que sobrevivam sob as nossas leis
    Que esse desabafo te livre do perigo
    Vire o seu ódio pra o verdadeiro inimigo


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