Al Meu Cervell Que Desconec
Al meu cervell que desconec
vénen paraules conegudes,
vocals, consonants, guionets
i signes d'exclamació,
dos punts, moltes comes i accents
que per dir el que sent per tu
crec que no em serveixen de res
no em serveixen de res.
Al meu cervell que desconec
trobe imatges sense paraules
i tots aquells arbres fruiters,
que fa ja tants anys que no veig,
es posen a ballar contents;
per sobre una mar d'aigua neta
passegen frondosos i bells
frondosos i bells.
Al meu cervell que desconec
arrossars de mel obren portes
a llunes plenes juganeres,
que entre tarongers i llimeres
i bresquilleres i ametllers,
van perseguint totes les ombres
darrera els pins i els garrofers
els pins i els garrofers.
Al meu cervell que desconec
un gran interrogant s'acosta,
vol abraçar totes les lletres
que formen la paraula Amor.
Les lletres canvien de lloc
i formen la paraula Roma
i riuen amb complicitat
amb complicitat.
Al meu cervell que desconec
arriben els anys que hem viscut
junts, carregats, curulls de vida,
plens de desig, fan senyals
als que encara no ha arribat
dient-los: veniu i mireu
com estem nosaltres de bé
nosaltres de bé.
Al meu cervell que desconec
els altres anys que no hem viscut,
a poc a poc van apropant-se,
s'ho miren una mica incrèduls
i no veuen com podran viure
tan intensament com aquells
i creuen que ells són diferents
que ells són diferents.
Al meu cervell que desconec,
com un esclat, arriben flors
portant els seus colors més nets,
gessamins, roses i anemones,
dàlies, clavells i camèlies,
geranis, roselles, baladres
i d'altres flors que dir no sé
que dir no sé.
Al meu cervell que desconec
al meu cos tot, véns somrient
i em dius t'estime, al mateix
moment que jo et dic t'estime.
És un instant que ens fa més lliures
i en què tots els ocells del món,
de sobte, es posen a volar
es posen a volar.
Ao Meu Cérebro Que Desconheço
Ao meu cérebro que desconheço
vêm palavras conhecidas,
vocais, consoantes, travessões
e sinais de exclamação,
dois pontos, muitas vírgulas e acentos
que pra dizer o que sinto por você
acho que não servem pra nada
não servem pra nada.
Ao meu cérebro que desconheço
encontro imagens sem palavras
e todas aquelas árvores frutíferas,
que há tantos anos não vejo,
começam a dançar felizes;
sobre um mar de água limpa
passeiam frondosas e belas
frondosas e belas.
Ao meu cérebro que desconheço
arrozais de mel abrem portas
a luas cheias brincalhonas,
que entre laranjeiras e limoeiros
e pessegueiros e amendoeiros,
vão perseguindo todas as sombras
depois dos pinheiros e dos alfarrobeiras
os pinheiros e os alfarrobeiras.
Ao meu cérebro que desconheço
um grande ponto de interrogação se aproxima,
quer abraçar todas as letras
que formam a palavra Amor.
As letras mudam de lugar
e formam a palavra Roma
e riem com cumplicidade
com cumplicidade.
Ao meu cérebro que desconheço
chegam os anos que vivemos
juntos, carregados, cheios de vida,
plenos de desejo, fazem sinais
para aqueles que ainda não chegaram
dizendo: venham e vejam
como estamos nós de bem
nós de bem.
Ao meu cérebro que desconheço
os outros anos que não vivemos,
pouco a pouco vão se aproximando,
observam um pouco incrédulos
e não veem como poderão viver
tão intensamente como aqueles
e acreditam que eles são diferentes
que eles são diferentes.
Ao meu cérebro que desconheço,
como uma explosão, chegam flores
trazendo suas cores mais puras,
jasmim, rosas e anêmonas,
dálias, cravos e camélias,
gerânios, papoulas, baladres
e outras flores que não sei nomear
que não sei nomear.
Ao meu cérebro que desconheço
no meu corpo tudo, você vem sorrindo
e me diz eu te amo, ao mesmo
tempo que eu digo eu te amo.
É um instante que nos faz mais livres
e em que todos os pássaros do mundo,
de repente, começam a voar
começam a voar.