Lector de Poesia
Ja no hi ha núvols en pantalons
ni l'abril és el mes més cruel.
I si dorms no veuràs res de res.
Sílvia no ha tingut mai records
i els amants sempre són diferents.
Oblides que oblides cada dia.
Cada dia oblides que oblides.
No es veu el turista de crepuscles.
De la pàtria ningú no es cansa.
I els infants no travessen carrers
amb voluntat de fugir de casa.
Qui vol viure ara en els pronoms?
Oblides que oblides cada dia.
Cada dia oblides que oblides.
Si t'il·lumines d'immens no et veuen.
Són mesquins alguns i algunes coses.
Ara el món mostra menys pietat.
Plou a ciutat, no plora el meu cor.
Llibertat, on escriuré el teu nom?
Oblides que oblides cada dia.
Cada dia oblides que oblides.
Leitor de Poesia
Já não há nuvens em calças
nem abril é o mês mais cruel.
E se você dorme, não verá nada.
Sílvia nunca teve lembranças
e os amantes sempre são diferentes.
Você esquece que esquece todo dia.
Todo dia você esquece que esquece.
Não se vê o turista do crepúsculo.
Da pátria ninguém se cansa.
E as crianças não atravessam ruas
com vontade de fugir de casa.
Quem quer viver agora nos pronomes?
Você esquece que esquece todo dia.
Todo dia você esquece que esquece.
Se você se ilumina de imensidão, não te veem.
Algumas coisas são mesquinhas.
Agora o mundo mostra menos piedade.
Chove na cidade, meu coração não chora.
Liberdade, onde vou escrever seu nome?
Você esquece que esquece todo dia.
Todo dia você esquece que esquece.