Yo Vengo
Yo vengo de la tierra donde un niño
Se hizo río solitario y sin caudal
Que invisible va camino del silencio
Y es amigo de la Luna y el zorzal
Yo vengo de unos ojos campesinos
Que alumbraron cada paso de mi andar
Y aromaron de poleo y mandarinas
Las cenizas de mi infancia mineral
Como un silbo que ha escapado de los montes
Que es un silbo melancólico y fugaz
Maternado por la paz de los mistoles
Y una herida que jamás pudo cerrar
Yo vengo
Yo vengo de ese patio amarronado
Genealógica madera de canción
De la cósmica silueta de un quebracho
Que se hunde sangre adentro de mi voz
Yo vengo del costado de algún viento
Que un agosto suspiró lejos del mar
De una siesta coloreada de coyuyos
Y una espina milagrosa y ancestral
Eu Venho
Eu venho da terra onde um menino
Se fez rio solitário e sem caudal
Que invisível vai pelo caminho do silêncio
E é amigo da Lua e do sabiá
Eu venho de uns olhos de camponês
Que iluminaram cada passo do meu andar
E perfumaram de erva-doce e laranjas
As cinzas da minha infância mineral
Como um assobio que escapou das montanhas
Que é um assobio melancólico e fugaz
Amparado pela paz dos mistérios
E uma ferida que nunca pôde fechar
Eu venho
Eu venho daquele pátio amarronzado
Madeira genealógica de canção
Da silhueta cósmica de um quebracho
Que se afunda sangue dentro da minha voz
Eu venho do lado de algum vento
Que um agosto suspirou longe do mar
De uma sesta colorida de grilos
E uma espinha milagrosa e ancestral
Composição: Raly Barrionuevo