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Eu Venho

Raly Barrionuevo

Yo Vengo

Yo vengo de la tierra donde un niño
Se hizo río solitario y sin caudal
Que invisible va camino del silencio
Y es amigo de la Luna y el zorzal

Yo vengo de unos ojos campesinos
Que alumbraron cada paso de mi andar
Y aromaron de poleo y mandarinas
Las cenizas de mi infancia mineral

Como un silbo que ha escapado de los montes
Que es un silbo melancólico y fugaz
Maternado por la paz de los mistoles
Y una herida que jamás pudo cerrar
Yo vengo

Yo vengo de ese patio amarronado
Genealógica madera de canción
De la cósmica silueta de un quebracho
Que se hunde sangre adentro de mi voz

Yo vengo del costado de algún viento
Que un agosto suspiró lejos del mar
De una siesta coloreada de coyuyos
Y una espina milagrosa y ancestral

Eu Venho

Eu venho da terra onde um menino
Se fez rio solitário e sem caudal
Que invisível vai pelo caminho do silêncio
E é amigo da Lua e do sabiá

Eu venho de uns olhos de camponês
Que iluminaram cada passo do meu andar
E perfumaram de erva-doce e laranjas
As cinzas da minha infância mineral

Como um assobio que escapou das montanhas
Que é um assobio melancólico e fugaz
Amparado pela paz dos mistérios
E uma ferida que nunca pôde fechar
Eu venho

Eu venho daquele pátio amarronzado
Madeira genealógica de canção
Da silhueta cósmica de um quebracho
Que se afunda sangue dentro da minha voz

Eu venho do lado de algum vento
Que um agosto suspirou longe do mar
De uma sesta colorida de grilos
E uma espinha milagrosa e ancestral

Composição: Raly Barrionuevo