395px

Fundadora

Ramiro González

Fundadora

He nutrido de sombra mis ojos
Por besarme [?] nupcial de tu pecho
Corolario de lunas dormidas
Si pudiera morir en su lecho
En tu acero raigal fundadora
Deshabita la sal su misterio
Endiablando de gritos mi sangre
De soñarme trepado a tus sueños

Suelo halarme la piel con tus manos
Desgajando los frutos del miedo
Y en un gesto de acequia perdida
Busco al niño de mi luz adentro
Y al sondear en mi espejo los años
Te descubro robándome un verso
Es de hallarte habitando mi alma
Que se nutre de voz el silencio

La violenta flor de tus caderas
Firme rostro del abismo hembra
Mistifica irrevocablemente
El milagro que tu andar celebra
Es por eso que te nombra el viento
Es por eso que la sal te aclama
Es por eso que tu paso anuncia
Que los mares arderán en calma

Cuando el río sepulte tu espalda
Bajo un roto cardumen de estrellas
Y se impregne de vos mi pupila
Ahogando mi sed en tu arena
Voy a henchirme de grillos la carne
Por soñarte desnuda y esbelta
Y en mi boca tu boca de nube
Lloverá su armonía secreta

Por tu vientre de pétalo en fuga
Hacia el vértice de la inconsciencia
Volverá mi alfarera costumbre
A esculpir en el aire tu greda
Y serás mi vergüenza perdida
Cuando el ciclo animal de la ausencia
Arrodille mi pulso en tu entraña
Como un gesto de amor y belleza

La violenta flor de tus caderas
Firme rostro del abismo hembra
Mistifica irrevocablemente
El milagro que tu andar celebra
Es por eso que te nombra el viento
Es por eso que la sal te aclama
Es por eso que tu paso anuncia
Que los mares arderán en calma

Fundadora

Eu tenho nutrido de sombra meus olhos
Por me beijar [?] nupcial do teu peito
Corolário de luas adormecidas
Se eu pudesse morrer em seu leito
No teu aço raiz fundadora
Deshabita o sal seu mistério
Endiabrando de gritos meu sangue
De sonhar-me subindo aos teus sonhos

Costumo arranhar a pele com suas mãos
Desgajando os frutos do medo
E em um gesto de canal perdido
Busco a criança da minha luz dentro
E ao sondar no meu espelho os anos
Te descubro roubando-me um verso
É de te encontrar habitando minha alma
Que se nutre de voz o silêncio

A violenta flor dos teus quadris
Firme rosto do abismo fêmea
Mistifica irrevogavelmente
O milagre que teu andar celebra
É por isso que o vento te nomeia
É por isso que o sal te aclama
É por isso que teu passo anuncia
Que os mares arderão em calma

Quando o rio sepultar tuas costas
Sob um roto cardume de estrelas
E se impregnar de ti minha pupila
Afogando minha sede na tua areia
Vou me encher de grilos a carne
Por sonhar-te nua e esbelta
E em minha boca tua boca de nuvem
Choverá sua harmonia secreta

Por teu ventre de pétala em fuga
Rumo ao vértice da inconsciência
Voltará meu costume de oleiro
A esculpir no ar tua argila
E serás minha vergonha perdida
Quando o ciclo animal da ausência
Arrodilhar meu pulso em tua entranha
Como um gesto de amor e beleza

A violenta flor dos teus quadris
Firme rosto do abismo fêmea
Mistifica irrevogavelmente
O milagre que teu andar celebra
É por isso que o vento te nomeia
É por isso que o sal te aclama
É por isso que teu passo anuncia
Que os mares arderão em calma

Composição: Ramiro González