Etre Rimbaud
Etre Rimbaud, ni laid, ni beau,
comme Pierrot et roder dans la ville
avec le rire cruel et le regard haineux.
Être de ceux jamais content,
jamais heureux,
au long des quais mouillés,
allant comme un noyé de la maladie bleu
car l'homme n'est pas aimé.
Qui cherche la vraie vie?
Bientôt le pont levi
de l'amour étombé,
arsins de l'envi
tu désires malmener
sur le torse appauvri
du poète tombé.
Etre Rimbaud, ni laid, ni beau,
comme cabot
et cracher le venin
comme d'autres respirent
ou se tiennent la main
car l'homme n'est pas aimé.
Non l'homme n'est pas aimé,
car l'homme n'est pas...
Etre Verlaine, juste un matin,
une semaine, pour connaître la faim
pour connaître la peine
et ça jusqu'à la fin
car l'homme n'est pas aimé.
Non l'homme n'est pas aimé,
car l'homme n'est pas...
Et la fin faut connaître,
a la fin faut connaître,
c'est la fin faut connaître,
pour connaître la foule,
pour connaître la haine,
pour connaître la foule,
pour connaître la haine.
Ser Rimbaud
Ser Rimbaud, nem feio, nem bonito,
como Pierrot e vagar pela cidade
com o riso cruel e o olhar cheio de ódio.
Ser um dos que nunca estão satisfeitos,
jamais felizes,
pelos cais molhados,
indo como um afogado da doença azul
porque o homem não é amado.
Quem busca a verdadeira vida?
Logo a ponte levadiça
do amor desmoronado,
arsinas da inveja
que você deseja maltratar
no peito empobrecido
do poeta caído.
Ser Rimbaud, nem feio, nem bonito,
como um cachorro
e cuspir veneno
como outros respiram
ou se dão as mãos
porque o homem não é amado.
Não, o homem não é amado,
porque o homem não é...
Ser Verlaine, só uma manhã,
uma semana, para conhecer a fome
para conhecer a dor
e isso até o fim
porque o homem não é amado.
Não, o homem não é amado,
porque o homem não é...
E o fim é preciso conhecer,
ao fim é preciso conhecer,
é o fim é preciso conhecer,
para conhecer a multidão,
para conhecer o ódio,
para conhecer a multidão,
para conhecer o ódio.