exibições de letras 252

Literatura da Favela

Rappek

Letra

    Periferia só acorda com barulho de sirene,
    Pela fresta da janela, zé povinho está contente.
    Se anima com a notícia que um fulano morreu,
    Só porque o cara pá, tinha um carro melhor que o seu.
    Se fodeu, a vida continua igual,
    Seu único alimento é bolacha água e sal.

    O menino no farol ainda pede esmola,
    Se o trocado não vier, ele ameaça com a pistola.
    De 100 por cento de sorte, 99 é morte,
    Os fracos não tem vez, só sobrevivem os fortes.
    Latrocínio, homicídio, é um mal que aqui se fez,
    Lá no beco, logo cedo, uma par de chinês.

    Tô de rolê na quebrada, as patricinha se acha,
    E os malandro se racha quando a viatura passa.
    Não pega nada, aqui não arruma nada,
    Revista e não registra, sem b.o nem enquadra.
    Sou mente criminal roubando a atenção,
    Favela agora é moda no jornal, televisão.

    E o ator ganha um oscar pela encenação,
    Quero ver vida real, neguin pagar de ladrão
    Pode me chamar de louco, isso é pouco, vai por mim,
    Só se esqueceram que van gogh era chamado assim
    Não confio na minha sombra, quem dirá em alguém,
    Se Jesus foi confiar e judas o traiu também
    O clima é tenso, uma guerra,
    Nessa selva de pedra, pago os pecados na terra
    E nesse filme de terror, stephen king não escreveu,
    O demônio opressor de mussolini reviveu.

    Reencarnou no presidente que abusa do poder,
    Vietnã, depois iraque, quantos mais irão morrer?
    Interesse político segue a sina do massacre,
    Assim com a miséria que avassala no acre
    Então, esse é o impasse, holocausto urbano,
    Traficante cobra a fita e o gambé passa um pano
    Heresias atuais, é o falso marginal,
    Inserindo um novo vírus no convívio social
    A nossa juventude está rumo a decadência,
    Iludida pelo crime, incentivando a violência

    Motivando as aparências, roubando a inocência,
    Brasil, glórias mil, só restou condolências
    Tá ligado no que eu digo, eu conheço o inimigo,
    Vai levando os meus manos nessa profissão perigo
    O sistema quis assim, ninguém vai se importar,
    Pois eu sei que o pior cego é o que não quer enxergar
    Nos deram ódio pra roubar e drogas pra vender,
    Nos deram armas pra matar e motivos pra morrer
    Não posso mais sorrir, mentir na oração,
    Se o desejo é de glória, sem pensar no seu irmão.

    Isso corrói o coração, envenena a mente,
    Abala seu emocional e o seu subconsciente
    Ver toda essa gente e ninguém te compreende,
    O tempo passa voando e tudo muda de repente
    Essa ideia é quente, é a fita, o papo certo,
    O brown disse, assimilei, nem sempre é bom ser esperto
    Estou preso à tudo aquilo que você mais odeia,
    Cemitério, caixão, 2 por 2 na cadeia.

    Abraçando mente fraca igual na santa ceia,
    É pânico na pista e o dp incendeia
    Na madruga, lua cheia, o mal está na espreita,
    Na fissura até os ossos é só tiro de escopeta
    Procuro e não encontro, mas batalho igual o chris,
    Corro atrás do meu futuro, vou atrás de ser feliz
    Só que essa liberdade exige sacrifício,
    Ao ver toda a humanidade jogando a vida no lixo.


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Rappek e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção