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Fado Lisboeta

Raquel Tavares

Letra

    Não queiram mal a quem canta
    Quando uma garganta se enche e desgarra
    Que a mágoa já não é tanta
    Se a confessar à guitarra

    Quem canta sempre se ausenta
    Da hora cinzenta da sua amargura
    Não sente a cruz tão pesada
    Na longa estrada da desventura

    Eu só entendo o fado
    Plangente, amargado
    À noite a soluçar baixinho
    Que chega ao coração num tom magoado
    Tão frio como as neves do caminho
    Que chore uma saudade
    Ou cante uma ansiedade
    De quem tem por amor, chorado
    Dirão que isto é fatal, é natural
    Mas é lisboeta.. Isto é que é o fado

    Oiço guitarras vibrando
    E vozes cantando na rua sombria
    As luzes vão-se apagando
    A anunciar que é já dia

    Fecho em silêncio a janela
    Já se ouvem na viela rumores de ternura
    Surge a manhã fresca e calma
    Só em minha alma é noite escura


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