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Diário de Bordo (pt. VI) (part. Chico César)

Rashid

LetraSignificado

    Eles vão e vêm para nos matar
    Vêm feito um vento ruim empesteando o ar
    Encarnação do mal, do pior que há
    Joelho no pescoço pra nos sufocar
    A faca sangra o pouco, não quero sangrar
    Ainda sou bem moço, me proteja, Jah
    Na hora do almoço, ouço rá-tá-tá
    Desliga o RaTimBum, se abaixa atrás do sofá


    Três da tarde de uma sexta
    Escrevo uma página extra
    Compete a mim reportar
    Que 17 é o novo número da besta
    E vários no rap tirando uma sesta, festa e treta
    No meio dos defensor da família
    Que só não defende se a família for preta
    Bancada da Bíblia, da Bala e do Boi, tudo lado a lado
    Esse é o BBB que me rouba a brisa
    Tão doido pra me ver eliminado
    Esses xenofóbico culpa o Norte e Nordeste
    E tudo que vem de lá
    Sendo que o Sul e o Sudeste
    É que provam em toda eleição que ainda não sabem votar (tá ligado!)
    Quero ir pro espaço igual Sun Ra
    Cansado de surra
    Se o presidente falar, me sinto Caetano
    Cara, cê fala de forma burra
    Não li na borra
    Pra um corpo preto, a vida é um eterno parkour
    E todo disco uma denúncia
    Antes do Extra, agora do Carrefour
    Bala que busca criança em casa
    Polícia pra quem? Jamais protegeu (Pra quem?)
    Me faz sentir não sou dono de mim
    Tipo Tannerie, centro, mundo e eu
    O que importa é o take, eles botam make
    Vida facção, eles pintam Drake
    E assina lei que assassina quem for preciso
    É o Brasil da vacina fake
    Pé de breque sem pé de break
    E o copo de leite o puro hate
    Sei que nunca vi patriota mais deprimente
    Lambendo a bota dos States
    Ninho de snakes
    E eu não falo de Hideo Kojima (não!)
    Se eu não digo uma merda que presta
    De que vale tanto rima?
    De que vale a banca? De que vale a cena?
    De que vale a sina e sua sanidade?
    Cê não percebeu? (Presta atenção!)
    Se você tá crescendo sozinho, dog
    A favela ainda não venceu (Ainda não)
    Isso não tira seu crédito
    Mas olha ao redor, tem até neonazi
    Faz lembrar do discurso do Brown
    Tá perdido? Volta pra base!
    E a esquerda precisa pensar nos preto não só quando for pro front
    Quer melhorar o amanhã?
    Faz um favor pra si: Aprenda com o onti
    E esse discurso negacionista tá tão no extremo, de forma insana
    Que às vezes torço
    Tomara que encontre e caia da beira da Terra plana (segura!)
    Um chora, o outro vende lenço
    Vários não vê que tá tenso o momento
    Meus rap cada vez mais denso
    Quem ficar raso, meu bem, só lamento
    Esse universo é imenso
    Só que tudo é mais intenso aqui dentro
    Esqueça essa porra de rede
    O povo é que precisa de impulsionamento
    Nunca lancei um verso ruim
    E sei que isso eleva o padrão
    Mas quando eu paro pra escrever
    É a folha que sente a pressão
    Sabe o que é pressão pra mim?
    Foi quando eu vi minha mina no hospital
    Ou os polícia invadindo o estúdio
    Arregaçar no verso é normal
    Instinto primal, sensação sem igual
    Muito melhor que pegar na peça
    É pegar na caneta e cuspir rajada
    De ideia pesada que te atravessa
    Matraca atolada, trago tonelada
    Prata que incinera quando começa
    Mas quem me dera nunca mais precisasse fazer uma outra dessa, né não?
    Caique, cê sabe que eu nem queria voltar pra isso aqui
    Diário de Bordo, mas minha caneta tava engasgada, deixa ela cuspir
    Os livro têm muita coisa escrita, é o que ele diz
    Em pleno berço de Machado de Assis, olha o que eu sou obrigado a ouvir
    Nega a ciência, esconde a doença, só negligência
    Essa é a sentença pra falta de consciência que colocou ele ali
    Diário 6, mas meu recado é pra vocês
    Acorda pra verdade de uma vez
    Porque ele mermo não vai me ouvir (Não vai me ouvir)

    Minha mãe, meu pai (e aí)
    Até quando vai? (até quando?)
    Quando é que sai? (quando é que sai?)
    Da liberdade o nosso alvará? (eu só quero saber)
    Minha mãe, meu pai
    Até quando vai? (até quando vai?)
    Quando é que sai? (por favor)
    Da liberdade o nosso alvará? (Yeah, yeah)
    Minha mãe, meu pai

    Tanta perda e nós ajoelha
    Porque esse governo de morte foi o atalho pra bandeira ficar vermelha
    Do sangue do povo que espelha a raiva hoje transborda
    Escrevo com ferrão de abelha em busca de dias melhores
    Fim
    Diário de Bordo


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