395px

Linha 670

Ratti Della Sabina

Linea 670

Giocano i bambini, giocano i bambini
fra carcasse d'auto, lavatrici e copertoni,
giocano i bambini, giocano i bambini,
nascosti in fondo a un pozzo dove annegano i pensieri.
E il vento se li porta e il vento li accompagna,
carico di mare e di cattivi odori.
Il vento è un sogno grande che arriva da levante,
racconta le sue storie e poi scompare all'orizzonte.

E corre corre il tempo e balla a piedi nudi,
sopra le auto rubate che brillano alla luna,
e sull'asfalto gonfio di caldo e di sudore,
di mosche e di zanzare, di vino e facce al sole.
E scendono le stelle truccate come neve,
con maschere d'argento e tutti i denti in mostra
e portano preghiere e canzoni da suonare,
quando l'inverno arriva ed ogni notte è una scommessa.

Hanno occhi ritagliati dentro facce da serpente
che dicono di storie di cui non c'è da perdere niente,
sono gonne colorate, sono mani sempre pronte,
a scommettersi il futuro in cambio della buona sorte.

E gira gira il sole fra cantilene strane
urlate a piena voce fra i sedili della metro,
fra vecchie fisarmoniche mai stanche di suonare,
che si aprono e si chiudono per chi le vuol sentire.
E a notte sono fuochi che si alzano oltre il muro
che scaldano fortune indifferenti al falso e al vero
che brillano negli occhi e nell'eco lontana
di parole incomprensibili urlate contro il cielo.

Sono ladri, banditi, straccioni, delinquenti,
vagabondi, senza terra, sporchi e strafottenti,
sempre meglio di cravatte, di colletti e denti bianchi,
che se con una mano danno, con l'altra pre[]ndono per venti.

Linha 670

Brincam as crianças, brincam as crianças
entre carcaças de carros, máquinas de lavar e pneus,
brincam as crianças, brincam as crianças,
se escondendo no fundo de um poço onde afogam os pensamentos.
E o vento os leva e o vento os acompanha,
carregado de mar e de maus odores.
O vento é um grande sonho que vem do leste,
conta suas histórias e depois desaparece no horizonte.

E corre, corre o tempo e dança descalço,
sobre os carros roubados que brilham à luz da lua,
e sobre o asfalto quente e suado,
de moscas e de pernilongos, de vinho e rostos ao sol.
E descem as estrelas maquiadas como neve,
com máscaras de prata e todos os dentes à mostra
e trazem orações e canções para tocar,
quando o inverno chega e cada noite é uma aposta.

Têm olhos recortados em rostos de serpente
que falam de histórias das quais não se perde nada,
são saias coloridas, são mãos sempre prontas,
a apostar o futuro em troca de boa sorte.

E gira, gira o sol entre cantigas estranhas
gritadas em alta voz entre os assentos do metrô,
entre velhas sanfonas que nunca se cansam de tocar,
que se abrem e se fecham para quem quer ouvir.
E à noite são fogos que se levantam além do muro
que aquecem fortunas indiferentes ao falso e ao verdadeiro
que brilham nos olhos e no eco distante
de palavras incompreensíveis gritando contra o céu.

São ladrões, bandidos, mendigos, delinquentes,
vagabundos, sem terra, sujos e desafiadores,
sempre melhores que gravatas, colarinhos e dentes brancos,
que se com uma mão dão, com a outra tiram por vinte.