Sarampión
Hacé el favor, filomena y
Explicame hasta cuándo
Voy a seguir patinando
Desde tu casa al taller.
Ya van cinco mediasuelas
Que les cambio a los tamangos
Y de flaco estoy quedando
Como un cacho de papel.
Vos sabés que yo te quiero;
No es posible este rechifle
Por tu culpa ando con gripe
De aguantarte me oxidé.
Me tenés como colimba,
Hay que ver cómo desfilo,
Pero atenti, que este filo
Es porteño cien por cien.
Yo te paso la pulenta
Que conmigo no se ensarta.
Yo no le hago como el tarta
Que patina al arrancar.
Yo no soy como mondiola
Ni el bisagra ese del hipo,
Soy un mozo flor de tipo
Con aprontes pa' ganar.
Nada de cita en el centro
Ni de té con masa y crema
Si vos sos, che filomena
De san telmo, como yo.
Con tu pinta y mi cariño
Nos salvamos del descenso
Vamo' a darno' apuntamento
En plaza constitución.
Andá cazando la onda
De todo lo que te bato,
Ahí tenés todos los datos,
Me llamás por telefón.
Yo dibujo con el lápiz
Trabajo en la lechería;
Los días de lotería
Preguntá por sarampión.
Sarampo
Faz o favor, Filomena e
Me explica até quando
Vou continuar patinando
Da sua casa pro ateliê.
Já vão cinco solas
Que eu troco nos tamangos
E de magro tô ficando
Como um pedaço de papel.
Você sabe que eu te quero;
Não é possível essa confusão
Por sua causa ando gripado
De te aguentar me enferrujei.
Você me tem como soldado,
Tem que ver como eu desfilo,
Mas atenção, que esse estilo
É bem carioca, cem por cento.
Eu te passo a real
Que comigo não se enrola.
Eu não faço como o tarta
Que patina ao começar.
Eu não sou como mondiola
Nem o bisagra do hipo,
Sou um cara muito bom
Com planos pra ganhar.
Nada de encontro no centro
Nem de chá com massa e creme
Se você é, ô Filomena
De San Telmo, como eu.
Com seu jeito e meu carinho
Nos salvamos do rebaixamento
Vamos nos encontrar
Na Praça da Constituição.
Vai pegando a vibe
De tudo que eu te falo,
Aí você tem todos os dados,
Me chama pelo telefone.
Eu desenho com o lápis
Trabalho na laticínio;
Nos dias de loteria
Pergunta pelo sarampo.