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Chamameceiro

Raúl Lavié

Camamecero

Mirenlo, no importa el nombre;
puede ser Joaquin, Ernesto,
Transito, Isaco o cualquiera
de nuestros chamameceros...

Es el duenio de la fiesta,
su callado bastonero;
sin querer todos le entregan
las riendas del sentimiento.

Por eso la concurrencia
siente cosquillas adentro
y que le retoza el alma
ni bien abre el instrumento...
Fijense! Vale la pena
verlo, de pie en su silencio,
destrenzando melodias
y como arrugando el viento...

Parece un rito sagrado;
se inclina el chamamecero,
cierra los ojos y elige
un chamame bien de adentro
que es una vibora hermosa
que parece estar en celo
porque se enrieda y se enrieda
hasta clavar su veneno
en los tobillos del damo...

Y ya desde ese momento
el correntino va herido...
No baila, reza; sus gestos
hablan por el... mientras tanto,
mientras se va retorciendo,
se desangra por la cancha
la herida de su silencio...

Lleva arrastrando los pies
en sinuoso viboreo;
amaga, gira, se hamaca,
se planta en el zapateo;
y como el pavo real
va erguido, pomposo y lento,
con el porte cortesano
de un antiguo caballero.

(De que remoto pasado,
de que sepultado imperio,
de que pueblos incendiados
le viene ese sortilegio?
De donde esa fuerza lenta
que se va agarrando al suelo?
De donde esa gallardia
que tiene bailando el mencho?

Unos dicen que es herencia
y otros, cosas de amuleto;
la musica esta en el alma
de los hijos de este suelo;
se le les subio por la sangre
de los talones al pecho,
y les brota por las manos
y les florece en el viento...

Tal vez por eso te usamos
hermano chamamecero,
negandote ese lugar
que es tuyo y que te debemos
Te aplauden y te ponderan
pero (Quien se tomo el tiempo
de llegarse hasta tu casa
a compartir tus desvelos...?

Que sabemos de tu vida
y que de tus pensamientos...?
Que le contas a tu vino;
que pena, que amor y que suenios...?
Padre de nuestra alegria,
senior de del baile, Maestro!
no se te paga con plata,
Lo tuyo no tine precio...!

Ojala no mueras nunca,
hermano chamamecero,
y haceme el favor, si un dia
llego a morir, que no pienso,
tocame tu "Ahapotama"
o "La Cau", y te prometo
que me voy a levantar
camino del cementerio
para quedarme a tu lado,
para ser tu guitarrero
y para cantar de oido
y a duo como en mi pueblo,
el chamame mas sentido,
el chamame que hace tiempo
te anda llorando en el alma
y es tu voz Chamamecero!

Chamameceiro

Olha só, não importa o nome;
pode ser Joaquim, Ernesto,
Trânsito, Isaco ou qualquer um
dos nossos chamameceiros...

É o dono da festa,
seu bastoneiro silencioso;
só de olhar, todos entregam
a rédea do sentimento.

Por isso a galera
sente um frio na barriga
e que a alma se agita
assim que ele toca o instrumento...
Olha! Vale a pena
ver ele, de pé no silêncio,
desfiando melodias
e como se amassasse o vento...

Parece um rito sagrado;
se inclina o chamameceiro,
fecha os olhos e escolhe
um chamamé bem profundo
que é uma cobra linda
que parece estar no cio
porque se enrola e se enrola
até cravar seu veneno
nos tornozelos do dançarino...

E já desde esse momento
o correntino vai ferido...
Não dança, reza; seus gestos
falam por ele... enquanto isso,
enquanto se retorce,
vai se esvaindo na pista
a ferida do seu silêncio...

Arrasta os pés
num vibração sinuosa;
se prepara, gira, se balança,
se planta no sapateado;
e como o pavão
vai erguido, pomposo e lento,
com a postura elegante
de um antigo cavaleiro.

(De que passado remoto,
de que império sepultado,
de que povos incendiados
vem esse sortilégio?
De onde vem essa força lenta
que vai se agarrando ao chão?
De onde vem essa garra
que faz o mencho dançar?

Uns dizem que é herança
e outros, coisas de amuleto;
a música está na alma
dos filhos dessa terra;
subiu pela sangue
do calcanhar ao peito,
e brota pelas mãos
e floresce no vento...

Talvez por isso te usamos
irmão chamameceiro,
egando-te esse lugar
que é seu e que devemos a você.
Te aplaudem e te exaltam
mas (Quem se deu ao trabalho
de ir até sua casa
a compartilhar suas angústias...?

O que sabemos da sua vida
e o que dos seus pensamentos...?
O que você conta ao seu vinho;
que dor, que amor e que sonhos...?
Pai da nossa alegria,
senhor da dança, Mestre!
não se paga com dinheiro,
O que é seu não tem preço...!

Oxalá você nunca morra,
irmão chamameceiro,
e me faça o favor, se um dia
eu chegar a morrer, que não quero,
toca pra mim seu "Ahapotama"
ou "La Cau", e te prometo
que eu vou me levantar
caminho do cemitério
pra ficar ao seu lado,
ser seu guitarrista
e cantar de ouvido
e em dueto como na minha terra,
o chamamé mais sentido,
o chamamé que há tempos
anda chorando na alma
e é sua voz, Chamameceiro!