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Canção Para Meu Rio

Raúl Lavié

Cancion Para Mi Rio

El rio rumbo que canta
fue mi maestro primero
junto a su espejo viajero
crecio indigena mi planta
el me puso en la garganta
las voces elementales
cuando en tardes estivales
pasaba verde su canto
como un torrente de llanto
vertido por los sauzales

Azul, de noches serenas,
penas de cielos nublados
cantos, de cantos rodados
rodando por sus arenas;
ternuras dichas apenas
rebeldias desbordadas
subitas luces robadas
a los cielos invernales
cual si templara puniales
en sus entranias heladas

Tambien yo templaba un rayo
con avaricia febril
juntaba estrellas de abril
para los versos de mayo
mire pasar, de soslayo
mis colores alboreros
buscaba los verdaderos
acordes del sentimiento
junto al relincho del viento
desflecado en los esteros.

Y ambicionaba el arrullo
milenario de mi rio
para hacer el viaje mio
con la musica del suyo
cierta noche, en que un cocuyo
pitaba en su placidez
alce mi canto, y tal vez
por orgullo, o por halago,
me puse el cielo del pago
con estrellas a los pies

Y cruce por su picada
milagrosa de reflejos
y el me ascendio cantos viejos
por la sangre iluminada
limpia luna, cincelada
por su peregrinacion
cuajo el primer medallon
de mi rastra; y ya en la orilla
me encendio la maravilla
del lucero en el talon

Destino dulce y amargo,
de rumoroso sendero,
sali armado, caballero
del canto y del viaje largo;
he dejado sin embargo
tan honda raiz en el
que aun soy sobre el tiempo, aquel
muchacho del mojarrero
que hizo un suenio marinero
para un barco del papel

Canção Para Meu Rio

O rio que canta
foi meu primeiro mestre
junto ao seu espelho viajante
cresceu indígena minha planta
ele me deu na garganta
as vozes elementares
quando nas tardes de verão
passava verde seu canto
como um torrente de pranto
vertido pelos salgueiros

Azul, de noites serenas,
dores de céus nublados
cantos, de cantos rolados
rolando por suas areias;
ternuras ditas apenas
rebeldias transbordadas
luzes súbitas roubadas
aos céus invernais
como se afiasse punhais
em suas entranhas geladas

Também eu afiei um raio
com avareza febril
juntava estrelas de abril
para os versos de maio
vi passar, de soslayo
minhas cores alvoroçadas
buscava as verdadeiras
acordes do sentimento
junto ao relincho do vento
desfeitado nos pântanos.

E ambicionava o arrulho
milenar do meu rio
para fazer minha viagem
com a música do dele
certa noite, em que um vagalume
cantava em sua placidez
levantei meu canto, e talvez
por orgulho, ou por elogio,
me vesti do céu do lugar
com estrelas aos pés

E cruzei por sua picada
milagrosa de reflexos
e ele me subiu cantos velhos
pela sangue iluminada
limpa lua, esculpida
por sua peregrinação
nasceu o primeiro medalhão
da minha trilha; e já na margem
me acendeu a maravilha
do lucero no calcanhar

Destino doce e amargo,
de rumoroso caminho,
sai armado, cavaleiro
do canto e da longa viagem;
deixei, no entanto,
tão profunda raiz em mim
que ainda sou sobre o tempo, aquele
moleque do pescador
que fez um sonho marinheiro
para um barco de papel

Composição: