Exibições da letra 30.166

Atrás das grades de sangue

Realidade Cruel

LetraSignificado

    Atrás das grades de sangue
    Realidade Cruel

    Mais um ano se passou e nem
    Sequer ouvi falar seu nome

    Mil à sua direita, dez mil à sua esquerda
    Olhe ao seu redor e veja, entenda, compreenda
    O quanto e como não valeu a pena
    As gargantilhas de brilhantes, as lingeries de seda
    Vários quilos de cocaína e crack, os passeios nos iates
    Champanhe, vagabundas à vontade
    Rolex, Armani, couro da Vuitton
    Imagine quanto sangue não
    Custou seus apês no Leblon
    E o povo diz

    Caralho, sangue bom, cê viu, tru?
    Ontem tava aí de fusca azul
    Catava até umas fita, gostava de umas droga
    O barato é locão, a ascensão foi meteórica
    Agora de Accord e RR na garagem
    Vorta e meia vejo ele saindo de viagem
    Depois de uma semana retorna bronzeado
    Isso que é vida, o maluco tá montado

    Cê vê, né, fazer o que se eles quer falar
    De 100, 99 queria estar no meu lugar
    E eu de cota em cota fui fortalecendo a firma
    De oitão canela seca pra G3 e. 30
    A vida é um carrossel, isso eu aprendi
    Eu sou a prova viva, quem quiser vem conferir
    Hoje eu prego o quanto que não valeu
    Aqui no inferno clamando por Deus

    Avisa o IML, chegou o grande dia
    São duas da manhã
    Lágrimas, sangue
    Avisa o IML, se é isso que eles querem
    Então vem me matar

    Linda, nervosa, simplesmente a mais bela
    De corpo escultural, de abalar a atmosfera
    Jurava amor eterno, dizia que me amava
    Que tudo era belo igual contos de fada
    Um dia me lembro bem, eu num esqueço
    Ó, uma Parati, tru, e um Santana preto
    Uns cara diferente no sol de blusa
    O clima tava quente, uma pá de crianças na rua
    Pelo rádio meu olheiro me passou, PT

    Ai, sangue bom, os cara quer você
    Levaram sua mulher como forma de mensagem
    Descolei que são Mão Branca e são lá do DENARC

    Ixxi, mandei o advogado e uma maleta recheada
    Depois de uma hora ela tava em casa
    Feliz, sorridente, me abraçando e dizendo

    Amor, tá suave, ó, mó sossego
    É só chegar uma vez por mês que tá bom
    Se você quiser eu mesmo faço a transação
    Levo o dinheiro no ponto e horário marcado
    Nossos negócios vão ser extraordinários

    Hum, desconfiei e nem paguei pra ver
    Com o coração partido, mas tinha que ser
    Mandei matar a vagabunda traidora
    Correr com polícia, não, sem vergonha
    E a vida segue assim entre rosas e espinhos
    Assim como toda segunda tem seu domingo
    Hoje eu prego o quanto que não valeu
    Aqui no inferno clamando por Deus

    Aqui é foda, paz não existe
    Só mesmo Deus pra te proteger
    Aqui é foda, é cruel
    Só a morte pode me libertar

    Eu tive tudo que eu quis, ouro, diamantes
    Carros, mulheres, fuzis, balas traçantes
    Fazia frio, eu descia em Congonhas
    Depois de uma viagem a negócios na Colômbia
    Surpresa, Polícia Federal sem perdão
    Depois de ter apreendido meus bens, minha mansão
    Com 15 acusações entre homicídios, tráfico
    Com gravações de telefones grampeados
    Minha dinastia, meu fim, meu castelo
    As grades do presídio, a masmorra do inferno
    Recordei das minhas ações diabólicas na tranca
    O sangue do pilantra jorrando da garganta
    Que me caguetou, dizia ser parceiro
    Senhor, pelo amor, foi comigo num enterro
    De um rival que, sem aval, tentou me matar
    Arranquei a cabeça dele como faz em Bagdá
    Várias mortes desde o vigia da Prosegur
    Caiu baleado com rajadas de Uru
    Até o executivo que não quis repartir a fortuna
    Joguei do 10º andar pra espatifar na rua
    Fora os inimigos que boiaram no lixo
    Hóó, do Tietê, peneirados de tiros
    Uns dizem que fui louco, outros psicopata
    Andei pelo sistema, fui cruel nas comarca
    Com os pé-de-breque, os verme atrasa lado
    Sem essa de monstrão, tio, apenas respeitado
    Agora eu me pergunto, cadê todo mundo?
    Os carro importado, as festas, os charutos
    Cubanos, os manos que viviam ao meu redor
    As vagabundas que lambiam até o meu suor
    Condenado a 100 e poucos, aqui lei dos 30
    Sozinho apodrecendo na caverna, na ilha
    No fundão Taubaté, casa de custódia
    Cêis num sabe como é, aqui não tem misericórdia
    Apenas rancor e ódio no sangue
    O mundão parece tão distante
    Sinceramente sei que não valeu
    Aqui clamei, chamei, orei por Deus
    Se ele ouviu, num sei, já era
    Tem mais um corpo enforcado aqui na cela

    Composição: Douglas Rc. Essa informação está errada? Nos avise.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Realidade Cruel e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção