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LetraSignificado

    Ei, sangue bom, há pouco tempo eu conheci meu pai
    Que por azar foi preso há uns 15 anos atrás
    Por crimes que sozinho cometeu
    Um reagiu, ele atirou, dois seguranças do banco morreram
    É latrocínio, fodeu, saíram fora com a boa, mas a câmera havia filmado
    Na região, retrato-falado, após três dias, meu pai caguetado
    Quando saía fora da cidade, abastecendo veículo na Avenida da Saudade
    Justo ele, porra, tinha mais três parceiros
    Deixaram minha mãe falando comigo recém nascido e ela sem dinheiro
    Sem acerto, e meu coroa lá preso
    Todo esse tempo, amigo, se não for rico, tá fodido
    O endereço é do distrito ao presídio, é foda
    Crescemos numa miséria de vida
    Minha mãe envelhecendo cada vez mais, sempre digna
    Mandava carta todo mês pra lá
    Não tínhamos condições pra ir pessoalmente visitar
    Pois era longe
    Não tinha dinheiro nem pra comer
    Tínhamos que sobreviver com doações de vizinhos, amigos, assistentes social
    Naquela tarde minha mãe começou a passar mal
    Não tinha vaga pra internar
    Morreu na porta do hospital
    Derrame, morte cerebral
    É aí que some o responsável do hospital
    Com 11 anos de idade tudo que eu tinha na vida
    Minha mãe exposta, jornais, ali falecida

    Não, não vai embora, vou morrer de saudade
    Não, não vai embora, vou morrer de saudade
    Não, não vai embora, vou morrer de saudade
    Não, não vai embora

    Pode crer, eu estava sozinho no mundo afora
    Roubava carteira de pedestres, quando não ganhava uma esmola
    Fui pra FEBEM, me arrumaram lá
    Mas era um inferno, a treta era constantemente
    Não recebia visita, maluco, nem de parentes
    Com 16 de idade esperava os 18 anos chegar
    Domingo de visita, dona Rita veio me acordar
    Moleque, tem alguém que quer lhe falar
    Uma visita especial, acho que vai gostar
    Arruma seus os pertences, é seu pai, ele veio te buscar
    Daqui pra frente batalhem juntos
    Construam um novo lar, é foda
    O pobre só se fode e não tem direito a nada
    Invadimos um terreno e construímos um barraco de tábua
    Ah, só na corrida de um emprego agora
    Só que a sociedade pra mim fecha as portas
    Vários dias a pé, até que enfim arrumei um emprego na construtora ENCOM
    Servente de pedreiro, tá limpo, seja o que for é um trampo digno
    Me dirigia ao escritório, lá estava mais um playboy cínico
    Ex-detento tá fodido, aqui não passa batido antecedente criminal
    Cumpriu cadeia, artigo latrocínio, não dá, desse jeito não dá
    Criminoso aqui, nessa empresa não entra, é falou, playboy filho da puta
    Todo lugar é assim, ex-detento, eles recusam
    O que fazer, fazer o que, meu filho, o jeito é roubar
    O que valeram 15 anos pra eu me regenerar, agora eu vou me montar
    Quero arma pra enquadrar, eu tenho uma fita boa, vou catar sossegar
    Convidar três malucos com carros e armas no esquema
    Estiveram presos comigo, nunca criaram problema
    Foi combinado tudo a pampa, traíras safados
    A confiança do meu pai fez dele um homem finado caralho
    Horas e minutos contados, não sabiam o destino não sabiam o lugar
    Não sabiam o que se passavam na mente dos manos que foram
    Aliados de cela, trairás safados

    Não, não vai embora, vou morrer de saudade
    Não, não vai embora, vou morrer de saudade
    Não, não vai embora, vou morrer de saudade
    Não, não vai embora

    Amanheceu o dia, meu pai firme, sossegado
    Vou sair fora, volto à noite, dei boa sorte, dele um abraço
    E ele disse: meu filho, as coisas vão mudar
    Só essa vez, eu nunca mais vou precisar roubar ou matar
    É dinheiro pra sossegar
    Crocodilagem é foda, te pega de surpresa
    Aliados de cela que sempre foram firmeza
    A ambição falou mais alto em cada coração
    Acabaram com nosso sonho, eu vi meu pai estirado no chão, todo perfurado
    Na divisão do dinheiro, na tarde do dia marcado
    Mataram pra ficar com a parte dele
    Aí, maluco, com a parte dele não se conteve
    Vários vizinhos ao redor do corpo
    E um endereço de uma goma no bolso
    Localizei o mocó dos safados
    Eu e mais um maluco duas 9 2 P descarregados
    Invadimos a goma tiroteio, salve meu mano Reinaldo
    E dois no chão baleados
    Por isso me encontro aqui enjaulado
    Assinei 3 homicídios, até o do Reinaldo
    É uma pá de anos, daqui nunca mais eu saio
    Essa é a vida de mais um que chora atrás da muralha
    E mandou a ideia a quem está aqui do lado de fora
    "Espero que você, flagrante, escreva isso sem demora
    E mande a mensagem a toda rapaziada o crime não compensa
    Maluco, não entre nessa roubada
    Essa foi minha história, desde a minha infância só tristeza, sem glória, saudade
    Mais um detento aqui dentro chora, a solidão me incomoda, a solidão me incomoda

    Não não vai embora, que saudade, saudade
    Não não vai embora, não vá, não vá
    Não não vai embora
    Não não vai embora, que saudade, saudade
    Não não vai embora, vou morrer de saudade
    Não não vai embora, não vá, não vá
    Não não vai embora, que saudade, saudade
    Não não vai embora, não vá, não vá
    Não não vai embora
    Não não vai embora
    Não não vai embora, vou morrer de saudade
    Não não vai embora
    Não não vai embora, vou morrer de saudade
    Não não vai embora, não vá, não vá
    Não não vai embora, que saudade, saudade
    Não não vai embora, não vá, não vá
    Não não vai embora


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