Raymond joue-moi du jazz
On vivait de presque rien
Trois mômes sur le tapin
Mon bar : Le petit joint
En Suisse un peu de bien
Tranquille
En cas de conjoncture
On f'sait de faux billets
Nos femmes et nos voitures
Etaient bien maquillées :
Le style
Et puis un p'tit hold-up
Une banque dans une ZUP
Sans vouloir faire des maths
Cinq cent petites patates anciennes
Ma bagnole tombe en panne
Je prends vingt ans d'cabane
Moins deux pour bonne conduite
Ca fait quand même dix-huit
A Fresnes
Raymond, joue-moi du jazz
C'est bon entre deux phrases
Vas-y
Jazzy
Le petit joint
J'ai failli pas trouver
Dis, maintenant
Ca s'appelle «white and blue»
Incompréhensible
Et toi, la môme en jean
Sers-moi un autre Gin !
Merci, Josy
Vous auriez connu Raymond !
Monsieur Raymond, élégant
Des bagues à tous les doigts
Des vraies, des fausses.
Il jouait pas, il rayait le piano
Dis, un séducteur, des cheveux... ailes de corbeau
Plaqués sur les tempes
Un jour, c'est sa femme qui l'a plaqué
Maintenant, il veut plus parler, mais
Entendez-le jouer...
Enfin, je sors intact
Et j'arrive comme une fleur
Au restau de Mado
Pour rel'ver mes compteurs
Tu vois.
Je contacte avec tact
Une belle femme, haut de gamme
Mais avant que j'fasse gaffe
Elle me retourne une baffe
A moi !
Mado, c'est un MacDo
Les frangines sont speakerines
Putain, j'ai plus la main
Je reconnais plus rien
J'me mine
J'fais des visites, j'hésite
On me conseille Marseille
Mais y a des aléas
J'aimerais mieux aller à
L'usine
(Je plaisante)
Raymond joue-moi du jazz
C'est bon entre deux phrases
Vas-y
Jazzy
(La banque dans la ZUP,
c'est devenu un musée d'art moderne
Un scandale ! )
Et toi la môme en jean
Sers-moi encore un gin !
Mais si, merci
Maintenant il répond plus mais...
Quand il avait des bagues à tous les doigts
Il avait des blagues à tous les mots.
Des blagues et sa femme lui disait :
«Tu m'achètes jamais rien !». Il répondait :
«Et qu'est-ce que tu as à vendre ? Hein ?»
Raymond ? Il répond plus
Il est comme le passé. Il est cassé.
Je m'en fous.
Paris : je mets une croix.
Marseille : idem
Je vais essayer Ajaccio.
La Corse, j'ai ouï-dire que c'était tranquille.
Tranquille, tranquille, la Corse.
Raymond, toca um jazz pra mim
A gente vivia com quase nada
Três moleques na rua
Meu bar: O pequeno baseado
Na Suíça, um pouco de grana
Tranquilo
Em caso de crise
A gente fazia grana falsa
Nossas mulheres e nossos carros
Estavam bem maquiados:
O estilo
E aí um pequeno assalto
Um banco numa ZUP
Sem querer fazer contas
Quinhentas batatas antigas
Meu carro quebra
Eu pego vinte anos de cana
Menos dois por boa conduta
Ainda assim dá dezoito
Em Fresnes
Raymond, toca um jazz pra mim
É bom entre duas frases
Vai lá
Jazzy
O pequeno baseado
Quase não achei
Diz, agora
Se chama "branco e azul"
Incompreensível
E você, garota de jeans
Me serve mais um gin!
Valeu, Josy
Você teria conhecido o Raymond!
Senhor Raymond, elegante
Com anéis em todos os dedos
Uns verdadeiros, outros falsos.
Ele não tocava, ele arranhava o piano
Diz, um sedutor, cabelo... asas de corvo
Colados nas têmporas
Um dia, foi a mulher que o deixou
Agora ele não quer mais falar, mas
Escutem ele tocar...
Finalmente, saio ileso
E chego como uma flor
No restaurante da Mado
Pra reabastecer meus contadores
Você vê.
Eu me aproximo com jeito
De uma mulher bonita, de alto nível
Mas antes que eu perceba
Ela me dá um tapa
Em mim!
Mado, é um MacDo
As irmãs são apresentadoras
Porra, não tenho mais a manha
Não reconheço mais nada
Tô me sentindo mal
Faço visitas, hesito
Me aconselham a ir pra Marseille
Mas tem os imprevistos
Eu preferiria ir pra
Fábrica
(É brincadeira)
Raymond, toca um jazz pra mim
É bom entre duas frases
Vai lá
Jazzy
(O banco na ZUP,
vira um museu de arte moderna
Um escândalo!)
E você, garota de jeans
Me serve mais um gin!
Mas sim, valeu
Agora ele não responde mais, mas...
Quando ele tinha anéis em todos os dedos
Ele tinha piadas em todas as palavras.
Piadas e a mulher dizia pra ele:
"Você nunca me compra nada!". Ele respondia:
"E o que você tem pra vender? Hein?"
Raymond? Ele não responde mais
Ele é como o passado. Ele tá quebrado.
Tô nem aí.
Paris: eu coloco uma cruz.
Marseille: idem
Vou tentar Ajaccio.
A Córsega, ouvi dizer que é tranquilo.
Tranquilo, tranquilo, a Córsega.
Composição: R. Bernard