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O Urubu e o Avião

Reinaldo Armas

El Zamuro y El Avión

Un avión en alto vuelo
Se encontró con un zamuro
Que volaba con apuro
En su misma dirección
El aeroplano en cuestión

Despreciándolo en entero
A su carnal compañero le dijo
Que se apartara
Que cerca de él no volara
Que le daba mal aguero

Ay
No se te ocurra otra vez
Volar por donde yo vuelo
Porque soportar no puedo
Tu penetrante hediondez
Tu asquerosa fetidez

Penetra por mis rendijas
Y en el interior se fijan
Toditos los tripulantes
Que exigen cuanto más antes
Mi protesta te dirija

Tú no puedes elevarte
A la altura que yo vuelo
Por qué tú eres del suelo
Donde naciste y te criaste
Tu no puedes apartarte

De tu práctica rutina
De tu inmundicia cochina
Que da tu mal predilecto
Tú devoras a los muertos
Con tu avara golosina

El zamuro desde allí
Al ver tanta humillación
Aprovechó la ocasión
Para contestarle así

Ay-lalaylalay
Basta de injuria y desprecio
Que ya mi turno ha llegado
Viendo que me has maltratado
Hablando claro y bien recio
Comprendí que eres un necio

Por o que me has criticado
Son madonas que me ha dado
La madre naturaleza
Mi vida dura cien años
Reza la ley natural
Recorro el mundo global

Y a nadie le hago daño
Mi descendencia es de antaño
Dista de la fundación
Del mundo y su formación
Sin una mancha afrentosa

Cumpliendo una ley honrosa
De triste y sucia misión
Y tu que eres de aluminio
Eres un gran criminal
No te cansas de matar

A hombres mujeres y niños
Y llevas al exterminio
A millares de inocentes
Que van engañosamente
A exponer la vida en ti
Hacen una muerte así

Quemados horriblemente
Tanto en el mar como en tierra
Tu ejercitas la maldad
Destruyes la humanidad
En la paz y en la guerra
Y yo con mi facultad

Viajo solo y cuando quiero
No me detiene mi vuelo
Ni lluvia ni tempestad
Con mi propia voluntad
Recorro mi patria entera
Me poso donde yo quiera

Lo que a ti te es imposible
Terminó así la cuestión
Por lógica razonable
Lo que entablan en el aire
Un zamuro y un avión

Ejemplo que la razón hermana
Del género humano
Cuando un jactón cludadano
Conociendo sus defectos
Maltrata a un hombre perfecto
Gentil, caballero y sano

O Urubu e o Avião

Um avião em alto voo
Se encontrou com um urubu
Que voava com apuro
Na mesma direção
O aeroplano em questão

Desprezando-o por inteiro
Ao seu irmão companheiro disse
Que se afastasse
Que perto dele não voasse
Que isso trazia mau agouro

Ai
Não se atreva outra vez
A voar onde eu voo
Porque não aguento
Teu fedor penetrante
Teu cheiro nojento

Penetra pelas minhas frestas
E no interior se fixam
Todos os tripulantes
Que exigem quanto antes
Que minha reclamação te dirija

Tu não podes elevar-te
À altura que eu voo
Porque tu és do chão
Onde nasceste e te criaste
Tu não podes te afastar

Da tua prática rotina
Da tua imundície nojenta
Que traz teu mau predileto
Tu devoras os mortos
Com tua avareza gulosa

O urubu de lá
Ao ver tanta humilhação
Aproveitou a ocasião
Para responder assim

Ai-lalaylalay
Basta de injúria e desprezo
Que já chegou minha vez
Vendo que me maltrataste
Falando claro e bem alto
Compreendi que és um tolo

Pelo que me criticou
São as mazelas que me deu
A mãe natureza
Minha vida dura cem anos
Reza a lei natural
Percorro o mundo global

E a ninguém faço mal
Minha descendência é antiga
Data da fundação
Do mundo e sua formação
Sem uma mancha vergonhosa

Cumprindo uma lei honrosa
De triste e suja missão
E tu que és de alumínio
És um grande criminoso
Não te cansas de matar

Homens, mulheres e crianças
E levas ao extermínio
Milhares de inocentes
Que vão enganados
A expor a vida em ti
Fazem uma morte assim

Queimados horrivelmente
Tanto no mar como em terra
Tu exercitas a maldade
Destróis a humanidade
Na paz e na guerra
E eu com minha liberdade

Viajo só e quando quero
Nada me impede de voar
Nem chuva nem tempestade
Com minha própria vontade
Percorro minha pátria inteira
Me poso onde eu quiser

O que a ti é impossível
Terminou assim a questão
Por lógica razoável
O que se estabelece no ar
Um urubu e um avião

Exemplo que a razão é irmã
Do gênero humano
Quando um cidadão jactancioso
Conhecendo seus defeitos
Maltrata um homem perfeito
Gentil, cavalheiro e são

Composição: Reinaldo Armas