La porteñita
La porteñita te llamaban los muchachos,
porque eras todo cuerpo y alma para el tango,
con tu pollera, tu blusita de percal,
eras un poco de arrabal, en los salones milongueando.
Cuando los roncos bandoneones te envolvían,
como una llama la milonga te encendía,
por tu canyengue, tu cadencia y tu compás,
formaban rueda en el salón, para mirarte milonguear.
Al revolear tu florido percal,
mariposita de luz de arrabal,
quién no quedó suspirando,
siguiendo tus vueltas, soñando, soñando.
Si habrás oído palabras de amor,
milonguerita de barrio,
pero tu amor era el tango,
y el tango vivía en tu corazón.
Fuiste famosa de Palermo hasta Corrales,
fuiste la reina de los bailes de arrabales,
rallaba el piso tu taquito compadrón,
marcando un ocho en el salón,
entre el vaivén de tus percales.
Naciste para el tango y el tango fue tu vida,
en mi recuerdo mi nostalgia no te olvida,
esta milonga, compadrita, es para vos,
que te regala mi emoción, como una flor del corazón.
A Porteñita
A porteñita te chamavam os caras,
porque você era corpo e alma pro tango,
com sua saia, sua blusinha de algodão,
você era um pouco de arrabal, nos salões milongueando.
Quando os bandoneons roucos te envolviam,
como uma chama a milonga te acendia,
pelo seu canyengue, sua cadência e seu compás,
formavam roda no salão, pra te ver milonguear.
Ao rodopiar seu florido algodão,
mariposinha de luz de arrabal,
quem não ficou suspirando,
seguindo suas voltas, sonhando, sonhando.
Se você já ouviu palavras de amor,
milongueirinha de bairro,
mas seu amor era o tango,
e o tango vivia no seu coração.
Você foi famosa de Palermo até Corrales,
você foi a rainha dos bailes de arrabal,
arrastava o chão com seu saltinho compadrón,
marcando um oito no salão,
entre o vai e vem dos seus percales.
Você nasceu pro tango e o tango foi sua vida,
na minha lembrança minha saudade não te esquece,
essa milonga, compadrita, é pra você,
que te presenteia minha emoção, como uma flor do coração.