Les Pages de Mon Enfance
En ouvrant les pages de mon enfance,
Je les découvre jaunies par le temps,
Chargées d'images et de réminiscences
Qui s'animent tout en les feuilletant.
Grand'mere qui épluche des légumes
Au soleil dans un coin du potager,
Je joue en la guettant, car je presume
Que si elle m'attrape, elle va me moucher le nez!
Etrange, mais ce sont pourtant ces choses,
Ces joies, ces pleurs, ces riens, ces petits drames
Les émaux et les couleurs dont se compose
La mosaïque inexplorable de notre âme.
Les trains remplis de prisonniers de guerre,
Les regards scrutant les quais fourmillants.
Et puis cet homme décharné, mon père,
Qui vient, traversant les rails en pleurant.
Et l'oncle Georges qui m'offre en cachette
Un coup de vin dans son verre au comptoir
Et une bouffée de sa cigarette,
Et tante Elise pense qu'il surveille mes devoirs!
Etrange, mais ce sont pourtant ces choses...
Tous les matins c'est le meme calvaire:
Le drame devant le jardin d'enfants.
Et je me cramponne au bras de ma mère,
Et chaque fois c'est le déchirement!
Les dimanches d'été dans la famille,
Les amis, les déjeuners au jardin,
Les rires, les robes des jeunes filles
Et des fruits rouges luisant sur une nappe de lin.
Etrange, mais ce sont pourtant ces choses...
As Páginas da Minha Infância
Ao abrir as páginas da minha infância,
Eu as descubro amareladas pelo tempo,
Carregadas de imagens e reminiscências
Que ganham vida enquanto as folheio.
Vovó descascando legumes
Ao sol em um canto da horta,
Eu brinco a observá-la, pois presumo
Que se ela me pegar, vai me fazer assoar o nariz!
Estranho, mas são essas coisas,
Essas alegrias, essas lágrimas, essas bobagens, esses pequenos dramas
Os esmaltes e as cores que compõem
A mosaico inexplorável da nossa alma.
Os trens cheios de prisioneiros de guerra,
Os olhares perscrutando os cais movimentados.
E então aquele homem magro, meu pai,
Que vem, atravessando os trilhos, chorando.
E o tio Jorge que me oferece escondido
Um gole de vinho em seu copo no balcão
E uma tragada de seu cigarro,
E a tia Elise acha que ele está vigiando meus deveres!
Estranho, mas são essas coisas...
Todas as manhãs é o mesmo martírio:
O drama na frente do jardim de infância.
E eu me agarro ao braço da minha mãe,
E toda vez é um rasgar no coração!
Os domingos de verão em família,
Os amigos, os almoços no jardim,
As risadas, os vestidos das meninas
E as frutas vermelhas brilhando sobre uma toalha de linho.
Estranho, mas são essas coisas...