Le Lacrymal Circus
Une vieille deux-ch'vaux qui tousse
Déversait des prospectus
"Ce soir, vingt heures, venez tous,
Entrez au Lacrymal Circus."
J'étais seul et je cherchais
Un abri contre la bruine
J'ai pris ma place au guichet
D'une roulotte qui tombe en ruine
Au Lacrymal Circus
On y voit c'qu'on veut y voir
Ce soir des cumulus
Jettent sur ma vie une ombre ivoire
Et je vois
Dans les tentures rouge et or
Quelques vieilles connaissances
Des souv'nirs qui collent au corps
Comme une vapeur d'essence
Et j'ai froid
Un vieux lion à bout de forces
A cligné trois fois des yeux
Il me disait, je crois, en morse
"J'peux pas sauter, j'ai peur du feu !"
Puis un clown neurasthénique
A pleuré sur mon épaule
"J'ai beau faire mes gags scéniques
Quand je tombe je suis pas drôle !"
Au Lacrymal Circus
On y voit c'qu'on veut y voir
Ce soir des cumulus
Jettent sur ma vie une ombre ivoire
Et je vois
Dans les tentures rouge et or
Quelques vieilles connaissances
Des souv'nirs qui collent au corps
Comme une vapeur d'essence
Et j'ai froid
Au Lacrymal Circus
On y voit c'qu'on veut y voir
Ce soir des cumulus
Jettent sur ma vie une ombre ivoire
Et je vois
Dans les tentures rouge et or
Quelques vieilles connaissances
Des souv'nirs qui collent au corps
Comme une vapeur d'essence
Un étrange ballet équestre
Hennissements et ruades
Y a qu'un tambour à l'orchestre
Tous les cuivres sont malades
Ceux qui soufflent n'ont plus d'air
Il ne reste que ceux qui tapent
Il ne reste que ceux qui tapent
Il ne reste que ceux qui tapent
Au Lacrymal Circus...
O Circo Lacrimal
Um velho dois-cavalos que tosse
Despejava panfletos
"Hoje à noite, às oito, venham todos,
Entrem no Circo Lacrimal."
Eu estava sozinho e procurava
Um abrigo contra a garoa
Peguei meu lugar na bilheteira
De uma caravana que tá caindo aos pedaços
No Circo Lacrimal
A gente vê o que quer ver
Hoje à noite, os cúmulos
Jogam sobre minha vida uma sombra marfim
E eu vejo
Nas cortinas vermelhas e douradas
Algumas velhas conhecidas
Lembranças que grudam no corpo
Como um vapor de gasolina
E eu tô com frio
Um velho leão sem forças
Pisquei três vezes os olhos
Ele me dizia, eu acho, em código morse
"Não posso pular, tenho medo do fogo!"
Então um palhaço neuras
Chorou no meu ombro
"Por mais que eu faça minhas piadas
Quando eu caio, não sou engraçado!"
No Circo Lacrimal
A gente vê o que quer ver
Hoje à noite, os cúmulos
Jogam sobre minha vida uma sombra marfim
E eu vejo
Nas cortinas vermelhas e douradas
Algumas velhas conhecidas
Lembranças que grudam no corpo
Como um vapor de gasolina
E eu tô com frio
No Circo Lacrimal
A gente vê o que quer ver
Hoje à noite, os cúmulos
Jogam sobre minha vida uma sombra marfim
E eu vejo
Nas cortinas vermelhas e douradas
Algumas velhas conhecidas
Lembranças que grudam no corpo
Como um vapor de gasolina
Um estranho balé equestre
Relinchos e coices
Só tem um tambor na orquestra
Todos os metais estão doentes
Os que sopram não têm mais ar
Só restam os que batem
Só restam os que batem
Só restam os que batem
No Circo Lacrimal...