Le Clan Des Miros
J'ai pas l'âme d'un sioux
Et l'oreille sur les railles
J'entends pas les remous,
Le bruit de la ferraille.
J'ai pas l'âme de l'indien
Qui saurait prendre garde
Lorsqu'un jour entre en gare le train-train quotidien.
J'ai pas l'âme du fermier
Qui écoute les pics-verts,
Les mouvements du terrier qui annoncent l'hiver.
J'ai pas l'âme paysanne
Qui entend le ch'val hennir,
Je suis comme la sœur Anne,
Je ne vois rien venir
Je ne vois rien venir
J'suis du clan des miros
Il y a sur nos carreaux
Un voile de buée
Une sorte de nuée
Peut-être parce que dehors
M'effroi notre décors
Dedans il fait plus chaud.
J'ai pas l'âme du marin
Qui sait lire les étoiles
Et c'truc dans le tarin
Le f'ras réduire la toile
J'ai pas l'âme du briscard
Qu'à les yeux qui se plissent,
Sa vieille cicatrice pressent l'mauvais rancart
Mais j'ai l'âme de l'étourdi
Qui s'prend les réverbères
Le regard trop engourdi pour jouer les belvédères
Dans le clan des aveugles, tomber c'est alunir
On vit un peu tout seul
On ne voit rien venir
On ne voit rien venir
J'suis du clan des miros
Il y a sur nos carreaux
Un voile de buée
Une sorte de nuée
Peut-être parce que dehors
M'effroi notre décors
Dedans il fait plus chaud.
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O Clã dos Desatentos
Não tenho a alma de um índio
E a orelha nos trilhos
Não escuto os redemoinhos,
O barulho do metal.
Não tenho a alma do nativo
Que saberia se cuidar
Quando um dia chega à estação o trem do dia a dia.
Não tenho a alma do fazendeiro
Que escuta os pica-paus,
Os movimentos da toca que anunciam o inverno.
Não tenho a alma camponesa
Que ouve o cavalo relinchar,
Sou como a irmã Ana,
Não vejo nada chegar
Não vejo nada chegar.
Sou do clã dos desatentos
Tem em nossas janelas
Um véu de neblina
Uma espécie de nuvem
Talvez porque lá fora
Nos assusta nosso cenário
Aqui dentro tá mais quente.
Não tenho a alma do marinheiro
Que sabe ler as estrelas
E essa coisa no nariz
Vai fazer a tela encolher.
Não tenho a alma do experiente
Que tem os olhos apertados,
Sua velha cicatriz pressente o mau encontro.
Mas tenho a alma do distraído
Que bate nos postes de luz
O olhar muito entorpecido pra fazer de conta que vê.
No clã dos cegos, cair é pousar
Vivemos um pouco sozinhos
Não vemos nada chegar
Não vemos nada chegar.
Sou do clã dos desatentos
Tem em nossas janelas
Um véu de neblina
Uma espécie de nuvem
Talvez porque lá fora
Nos assusta nosso cenário
Aqui dentro tá mais quente.
(x2)