Nantes
C'est d'abord sa frimousse
Avant de voir son pouce
Qui m'a fait ralentir
Sa voix à la portière
A ce ton de prières
De celles qui savent mentir
Ni perdue, ni mendiante
j'suis étudiante
Dans ta caisse, bringuebalante
Ta route est-ce Nantes?
Bien sur c'était pas mon chemin
Mais j'ai senti mes mains
Glisser sur le volant
J'ai jamais été audacieux
Mais j'ai senti mes yeux
Glissé sur ses collants
On a quitté Paris
Et la ville Canaris
On l'atteindra demain
T'as passé les six heures
Dans le rétroviseur
A torturer tes mains
Court vêtue
Impatiente
Qui es tu diantre
Qu'as tu vu,
Qui te hantes?
Pour que tu mentes?
Bien sur c'était pas mon problème
Mais quand j'ai vu l'emblème
D'une station Texaco
J'ai jamais été audacieux
Mais sur le parking silencieux
J'ai garé mon tacot
Une station essence
Trois minutes d'absence
Il m'en fallait bien moins,
Pour ouvrir son sac
Y trouver dix plaques
Et une arme de poing
Dangereuse, envoutante
Religieuse-mante
J'la revois chancelante
Quand je la plante
Bien sûr parfois je m'en souviens
C'est alors que revient
La question lancinante
Si j'avais été audacieux
Qu'aurais-je vu sous les cieux
Qui s'étalait sur Nantes?
Nantes
É primeiro seu rostinho
Antes de ver seu dedão
Que me fez desacelerar
Sua voz na porta
Com esse tom de oração
Daquelas que sabem enganar
Nem perdida, nem pedinte
Sou estudante
No seu carro, balançando
Seu caminho é Nantes?
Claro que não era meu caminho
Mas senti minhas mãos
Deslizarem no volante
Nunca fui ousado
Mas senti meus olhos
Deslizarem em suas meias
Deixamos Paris
E a cidade Canário
Chegaremos amanhã
Você passou as seis horas
No retrovisor
Torturando suas mãos
Vestida de forma curta
Impaciente
Quem é você, diabo?
O que você viu,
Que te assombra?
Para que você minta?
Claro que não era meu problema
Mas quando vi o emblema
De um posto Texaco
Nunca fui ousado
Mas no estacionamento silencioso
Estacionei meu carro velho
Um posto de gasolina
Três minutos de ausência
Eu precisava de bem menos,
Para abrir sua bolsa
Encontrar dez placas
E uma arma de fogo
Perigosa, hipnotizante
Religiosa-mante
Eu a vejo cambaleando
Quando a planto
Claro que às vezes me lembro
É então que volta
A pergunta insistente
Se eu tivesse sido ousado
O que eu teria visto sob os céus
Que se espalhavam sobre Nantes?