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Mulher Rural (Funeral da Mulher Presente)

Renato Fagundes

Letra

    Mal desponta a aurora clareando os campos
    Por estes exílios de confins e fundos
    Lá se encontram elas desde que amanhece
    Abrindo as janelas dos seus próprios mundos

    Junto a seus maridos, repartindo anseios
    Preparando vergas pra semear a vida
    Vão parindo filhos e plantando sonhos
    E gastando os dias nessa dura lida

    Consumindo os anos, calejando as ânsias
    Percebendo o tempo que jamais recua
    Elas vão sonhando terras prometidas
    E um ranchito lindo sob a luz da Lua

    Muitas vezes elas deixam esses sonhos
    Para encher as vilas de desilusão
    E parir de novo novos retirantes
    E perder as filhas e viver em vão

    A vassoura, a enxada, o fogão, a cama
    O sabão na tábua, roupas no varal
    Filharada chora e o marido chama
    E se vão os dias da mulher rural

    Composição: Doroteo Fagundes / José Atanásio Borges Pinto. Essa informação está errada? Nos avise.

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