395px

Desde o Guardanapo

Residente

Desde La Servilleta

Con las letra' soy obsesivo compulsivo
Y el alfabeto está al borde de un suicidio colectivo
No importa porque mientras yo esté vivo
Hasta sin palabra' escribo

De romper las regla', de eso se trata
De lograr que una silla esté de pie con una pata
De que con un solo verso en medio del revuelo
Encuentres paz en un universo paralelo

Tonto, no hace falta pensar tanto, mi santo
Yo soy rapero, pues porque no canto
Sin hacerme la víctima, sin tanto teatro
Yo la rimo como tú en 4x4
Porque de la sopa de letra' hago un sancocho
Y encima de eso, las rapeo en 6x8

Yo respeto al movimiento
Yo también puse ladrillo' desde el pavimento
Yo también mezclé cemento
Si no te salió, lo siento
Debe ser triste escribir pa' terminar rapeándosela' al viento

Lo que tú no has dicho en to'a tu vida entera, fiera
Yo lo dije en solo un año de carrera
Le di tanto de comer a mis libreta'
Que dejaron de caber en mis maleta'

Cocinando sin un libro de receta'
Aprendí a sacar el lápiz cuando el corazón se aprieta
Rimando de verdad, la posta, la neta
De barra en barra, escribiendo en servilleta

Hasta que mi lápiz se desangre
Con hielo en la nevera aprendí a escribir con hambre
Yo soy rapero aunque solo use una guitarra
Sin beat y sin DJ, las barra' siguen siendo barra'

Y me voy a duelo contra el cello
De aquí nadie me saca, ni aunque bajen to' los ángeles del cielo
El rap en la calle con todas sus voce'
Las palabra' que el diccionario todavía no reconoce

Lo que ni con un doctorado supiste lo que significa
El rap con una rima te lo explica
La historia de las bala' que a todo' nos salpica
Desde el que las dispara hasta el que las fabrica
El rap no lo defines tú, marica
Lo define el verso que la pista se mastica

Lo define el poder de la palabra
Los punchlines que golpean tu mente hasta que la abras
El rap conmigo no se queja
Porque fui más fiel con él que lo que fui con mis pareja'

El rap es todo lo que tú no puede' ver
Vio a mi hijo nacer, lo vio crecer, hasta le dio de comer
Y me amarró las pierna' con las que brinco
Pa' que la depresión no me empujara desde el piso veinticinco
Y conecto con ustede' en otro nivel
Porque me enseñó a decir lo que no cabe en el papel

Y si me pierdo en medio de la nada sin transporte
Dejo que el lápiz decida mi norte
Y aquí estaré, aunque no vean mi aporte
En este deporte hasta que mis machete' ya no corten
Aunque toda esta misión la aborten
Aquí estaré aunque las letra' ya no importen

Desde o Guardanapo

Com as letras sou obsessivo compulsivo
E o alfabeto está à beira de um suicídio coletivo
Não importa porque enquanto eu estiver vivo
Até sem palavras eu escrevo

De quebrar as regras, é disso que se trata
De fazer uma cadeira ficar de pé com uma perna
De que com um único verso no meio da confusão
Encontres paz em um universo paralelo

Bobo, não precisa pensar tanto, meu santo
Eu sou rapper, então por que não canto
Sem me fazer de vítima, sem tanto teatro
Eu rimo como você em 4x4
Porque da sopa de letras faço um cozido
E além disso, eu as rimo em 6x8

Eu respeito o movimento
Também coloquei tijolos desde o pavimento
Também misturei cimento
Se não deu certo para você, sinto muito
Deve ser triste escrever para acabar rimando ao vento

O que você não disse em toda a sua vida inteira, fera
Eu disse em apenas um ano de carreira
Alimentei tanto minhas cadernetas
Que não cabiam mais na minha mala

Cozinhando sem um livro de receitas
Aprendi a pegar o lápis quando o coração aperta
Rimando de verdade, a verdade, a real
De bar em bar, escrevendo em guardanapo

Até que meu lápis se esgote
Com gelo na geladeira, aprendi a escrever com fome
Eu sou rapper mesmo usando apenas uma guitarra
Sem batida e sem DJ, as barras continuam sendo barras

E vou para o duelo contra o violoncelo
Daqui ninguém me tira, mesmo que todos os anjos desçam do céu
O rap na rua com todas as suas vozes
As palavras que o dicionário ainda não reconhece

O que nem com um doutorado você soube o que significa
O rap com uma rima te explica
A história das balas que respingam em todos nós
Desde quem as dispara até quem as fabrica
O rap não é definido por você, idiota
É definido pelo verso que a batida mastiga

É definido pelo poder da palavra
Os punchlines que atingem sua mente até que a abra
O rap comigo não reclama
Porque fui mais fiel a ele do que fui às minhas parceiras

O rap é tudo o que você não pode ver
Vi meu filho nascer, vi ele crescer, até o alimentei
E amarrou minhas pernas com as quais salto
Para que a depressão não me empurre do vigésimo quinto andar
E conecto com vocês em outro nível
Porque me ensinou a dizer o que não cabe no papel

E se eu me perder no meio do nada sem transporte
Deixo o lápis decidir meu norte
E aqui estarei, mesmo que não vejam minha contribuição
Neste esporte até que meus machados não cortem mais
Mesmo que toda essa missão seja abortada
Aqui estarei mesmo que as letras não importem

Composição: Residente