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O Balconete Florido

Riccardo Marasco

Il Balconcino Fiorito

Coi libri sotto i' braccio pe' la via,
a quella bella età che 'on torna più,
a un balconcino pieno di poesia
lo sguardio mio s'andò a posar lassù.
Un glicine fiorito e qualche rosa
facean di que' balcone una gran cosa.

Sul balconcin fiorito
vidi un capino biondo.
"Mi butti un fiore"
chiesi un poco ardito,
"Sarà per me un tesoro
in questo mondo".

Lei mi buttò 'na rosa,
la strinsi sul mio cuore.
Il cuor mi disse piano
qualche cosa,
mi disse 'na parola sola:
"Amore"

In grigioverde, con il reggimento,
la Patria un giorno mi chiamò laggiù.
Per quella strada ripassai, rammento,
ed il mio sguardo ritornò lassù,
a' balconcino ancora tutto in fiore,
laddove c'era un pezzo del mio cuore.

Dal balconcin fiorito
cadde una rosa
e in fretta la presi,
e, con um modo un poco ardito,
io l'ho legata
con la baionetta.

Lei mi buttò un bacione,
disse "Porta fortuna".
S'allontanava al passo
il battaglione,
pensavo, mi dicevo:
"Te, o nessuna".

Ricordo che a' ritorno son passato,
co' core che no' mi reggeva più,
di sotto a' balconcino, innamorato,
ma nessun fiore mi si buttò giù.
E mi fu detto alfine, un triste giorno:
"Pare che la bimba e no' farà ritorno".

Sotto al balcon fiorito
passo di tanto in tanto.
Passato il tempo
son così intristito
che i' core non mi regge
e scoppio in pianto.

Ricordo dei ventanni,
amori dolci furon,
ma un dia, sogno mio,
gioia infinita,
avevo dato a te
tutta la vita!

O Balconete Florido

Com livros debaixo do braço pela rua,
aquela bela idade que não volta mais,
um balconete cheio de poesia
meu olhar se pousou lá em cima.
Uma glicínia florida e algumas rosas
faziam daquele balcão uma grande coisa.

No balconete florido
vi uma cabecinha loira.
"Me joga uma flor"
pedi um pouco atrevido,
"Vai ser um tesouro pra mim
neste mundo".

Ela me jogou uma rosa,
apertei contra meu coração.
O coração me disse baixinho
alguma coisa,
me disse uma palavra só:
"Amor".

Em cinza e verde, com o regimento,
a Pátria um dia me chamou lá embaixo.
Por aquela rua passei de novo, lembro,
e meu olhar voltou lá pra cima,
aquele balconete ainda todo florido,
donde havia um pedaço do meu coração.

Do balconete florido
caiu uma rosa
e rapidamente a peguei,
e, com um jeito um pouco atrevido,
eu a prendi
com a baioneta.

Ela me mandou um beijão,
disse "É sorte".
Afastava-se a passo
o batalhão,
pensava, me dizia:
"Você, ou ninguém".

Lembro que ao voltar passei,
com o coração que não aguentava mais,
debaixo do balconete, apaixonado,
mas nenhuma flor me foi jogada.
E me disseram, afinal, um dia triste:
"Parece que a menina não vai voltar".

Debaixo do balcão florido
passo de vez em quando.
Passado o tempo
estou tão entristecido
que o coração não aguenta
e estoura em pranto.

Lembro dos vinte anos,
amores doces foram,
mas um dia, meu sonho,
alegria infinita,
eu tinha dado a você
toda a vida!

Composição: