Viento
Arararara
Ay, cigarro terco
Siempre apareces cuando cae la tarde
Cuando la cabeza empieza a hacer preguntas que nadie responde
Juras que eres calma, pero al rato me devuelves el desastre y yo
Como un idiota
Siempre vuelvo a buscarte
Encontré otro loco que también te conoce de memoria
Dice que contigo las madrugadas pesan menos en la historia
Nos reímos un rato, como si eso bastara pa' olvidar
Pero cuando él se va, tú eres el que se queda en el sofá
Te giro entre los dedos como quien juega con su mala suerte
Sé que vas matándome despacio pero qué difícil es perderte
No sé decirte que no si siempre llegas cuando todo duele
Me prometo que hoy es el último pero mañana invento otra excusa y vuelves
No sé vivir sin tu humo cuando la ciudad se queda en silencio
Eres el error que conozco de memoria
La costumbre que llevo en el pecho
Ya conozco el sonido que hace el encendedor antes del incendio
Con los ojos cerrados podría dibujarte hasta en el viento
Siempre dices uno más y el reloj termina dándote la razón
Se me escapa la noche entre ceniza y conversación
Mi vieja dice que cambie, que ya tengo la mirada diferente
Mis amigos hacen bromas pero saben que no es tan simple
Porque hay vacíos que aprendieron a oler igual que tú
Y aunque quiera echarte siempre dejas algo de tu luz
Tal vez un día no recuerde tu sabor
Tal vez mis manos dejen de buscar calor
Pero esta noche todavía ganaste tú
La ventana está abierta y otra vez te enciendes tú
No sé decirte que no aunque conozca todos tus finales
Hay despedidas que se quedan ensayando en los portales
No sé vivir sin tu humo cuando todo empieza a hacer ruido
Eres el incendio más bonito que aprendió a llamarse vicio
Y otra vez
Las tres de la mañana
Otra vez
Prometiendo que mañana
Vento
Arararara
Ai, cigarro teimoso
Sempre aparece quando a tarde cai
Quando a cabeça começa a fazer perguntas que ninguém responde
Você jura que é calma, mas logo me traz o desastre e eu
Como um idiota
Sempre volto a te procurar
Encontrei outro doido que também te conhece de cor
Ele diz que com você as madrugadas pesam menos na história
Rimos um pouco, como se isso bastasse pra esquecer
Mas quando ele vai embora, você é quem fica no sofá
Te giro entre os dedos como quem brinca com a má sorte
Sei que você vai me matando devagar, mas como é difícil te perder
Não sei te dizer não se você sempre chega quando tudo dói
Prometo que hoje é a última vez, mas amanhã invento outra desculpa e você volta
Não sei viver sem sua fumaça quando a cidade fica em silêncio
Você é o erro que conheço de cor
O hábito que carrego no peito
Já conheço o som que faz o isqueiro antes do incêndio
Com os olhos fechados, poderia te desenhar até no vento
Você sempre diz só mais um e o relógio acaba te dando razão
A noite escapa entre cinzas e conversas
Minha mãe diz pra eu mudar, que já tenho o olhar diferente
Meus amigos fazem piadas, mas sabem que não é tão simples
Porque há vazios que aprenderam a cheirar igual a você
E mesmo que eu queira te expulsar, você sempre deixa um pouco da sua luz
Talvez um dia eu não lembre do seu sabor
Talvez minhas mãos parem de buscar calor
Mas esta noite, você ainda ganhou
A janela está aberta e de novo você se acende
Não sei te dizer não, mesmo conhecendo todos os seus finais
Há despedidas que ficam ensaiando nas entradas
Não sei viver sem sua fumaça quando tudo começa a fazer barulho
Você é o incêndio mais bonito que aprendeu a se chamar vício
E de novo
Três da manhã
De novo
Prometendo que amanhã